domingo, 8 de novembro de 2009

Bem-Vindo à modinha do “Fala na minha cara”!


Alô alô Terezinha. Alguém viu uma Set dos Basterds por aí? Para variar, a minha se extraviou e eu jurava que tinha alguma nota para o A Verdade Nua e Crua por lá. Queria ver. =P

Ah nãããão.... não vou me atrever a escrever sobre Inglourious Basterds só por ser o melhor de Tarantino desde Pulp Fiction. Nem sobre a agonia que parece ter durado anos do taco de baseball nas mãos do Urso Judeu... Mas é Tarantinooo, cada segundo vira minuto. Mas foram os longos segundos que fizeram daquele momento um clássico óbvio. Não vou falar do maldito microfone que o diretor enfiou no prato do coronel Hans Landa com todos os tec-tec dos talheres como se fossem personagens da cena, e fizeram com que o pedido do copo de leite fosse deliciosamente sem ar. Aliás, o filme, além de ser de Tarantino, foi de Hans, muito Hans. O cinema, os episódios, a obra-prima final do Brad Pitt e a visível simbologia da obra-prima do próprio Tarantino montando todo o tendéu em 5 meses. Além de fazer o que acho o mais magnífico do cinema-não-verdade, contar a história como quiser, como se não estivesse nem aí para o que os livros de história dizem: “quero atear fogo aos nazistas sem piedade, em todos, inclusive no Fürer. E vou.”. Delicioso, violento e memorável, eu diria. E o arrivederci?? O que foi o arrivederci??? AAAAAAAAAAH! Parei. O dia que eu fizer um estudo minucioso eu falo.


Na verdade a minha ausência aqui está pesando na consciência e queria agradecer a todos que apoiaram o Tcc, dizer que ele ficou lindo e que a banca é dia 18. Obrigada. Aí assisti a dois filmes nesse final de semana e resolvi escrever, sem delongas, só por escrever. Então, pegue os ingredientes fílmicos de A Verdade Nua e Crua e junte com os de Ele Não Está Tão Afim de Você e faça um prato com uma cara ótima, mas pouco comestível. Na verdade Assisti só ao primeiro nesses dias, mas me lembrou muito o outro e parei para pensar o quanto está na moda essas produções “tapa na cara com final feliz” tipo Hitch – O Conselheiro Amoroso. E o pior, o quanto isso pode ser um passatempo bacana e pode ser um saco.

Imagine a mulher, que seja qualquer mulher, desimpedida, independente, dependente, infeliz, qualquer uma. Ela encontra um homem que não tem nada a ver com ela, mas que vai dizer, sem dó nem piedade, toda a verdade sobre relacionamentos: “Se ele quiser ele vai ligar, homens só pensam naquilo, você ligou para ele no dia seguinte? Idiota.” Aí ele ensina como ela deve fazer e depois descobre que está apaixonado por ela e no final eles são felizes para sempre e quebram todas as benditas regras que ele, desde o início do filme, obriga ela a aceitar. Bonito, não é? (ironia) O amor sempre vencendo barreiras. (/ironia)

Para quem gosta de comédias românticas é o mesmo pastelão de sempre, com algumas dicas intrépidas para as mulheres. Algo me diz que, nos dois casos, quem escreveu o roteiro deve ter arranjando umas namoradas bem chatas, não ter conseguido se desfazer delas e depois ficado tão cheio que queria mostrar para o mundo tudo o que as mulheres não deveriam fazer. De que adianta se, no final, tudo é feliz e termina com a sexysalsa e uma cena romântica e bonitinha que faz a pessoa esquecer tudo o que o cara tinha ensinado... Porque, no fim, ele gosta dela sendo chata e mandona, alguém também vai gostar de mim. Pff. Ta, é bacaninha o filme, mas a história é SEMPRE a mesma. Assista Se Beber Não Case, é outro pastelão machista, mas dá para dar algumas risadas. Ou assista Once – Apenas uma vez, ou Porque Choram os Homens, quer ver romance, veja um com um final mais realista. ;]

Quero ver Besouro, alguém me leva? =\

Arrivederci. Rá.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Terror, Trash, Terrir. O retorno de Sam Raimi


Domingo a tarde, dia de cinema, sessão relaxo, Domingão do Faustão, ou, para os um pouco mais ousados e com o estômago nada fraco a Sétima Arte apresenta desde a semana passada o retorno do rei. Nada de Senhor dos Anéis e Aragorn, não, o que vem por aí é o rei do Terror Trash anos 80, o Terrir, Sam Raimi (Aquele mesmo, das premiações do Homem Aranha).

Sinceramente, eu saí do cinema com um sorriso de orelha a orelha, mas acho que fui a única. Meus acompanhantes esperavam realmente um banho de sangue no estilo Tarantino, sustos escandalosos e o pavor dando nos nervos. Admito, os sustos bem que não deixaram a desejar, mas o conjunto da obra Arrasta-me Para o Inferno foi um pouco além e, para mim, conseguiu uma coisa quase impossível em filmes de terror, um equilíbrio, nojento, porém equilibrado.

Para quem não lembra, na década de 80 Sam Raimi criou a apavorante série Uma Noite Alucinante (Evil Dead, A Morte do Demônio) que, por outro lado, conseguiu também ser uma das mais divertidas além de precursoras do terror “terrir”. Nesse oooutro século da história do cinema, a veia cômica do diretor continua intacta, com aquele mesmo estilo irritante de terror que não faz ninguém nem pular nem rir na poltrona e sim perguntar num tom incrédulo: “O que é isso?”, ou “WTF???”. No fim, dá no mesmo. Como eu disse, ele equilibra o medo e o riso.

Aliás, sem dúvida a maioria das pessoas que virem o filme vão sair muito bravos porque tinham a expectativa de terminar a sessão sendo confundidos com as poltronas de tanto se afundarem nelas. Se essa for a sua única intenção, esqueça. Maaas, se você for alguém com um pouco menos de preconceito cinematográfico e que assuma que qualquer programa de índio te divirta, vá fundo. Arrasta-me Para o Inferno é um programão de índio intenso. Vai lhe render bons sustos e, de quebra, belas caras de bobo. Só para fazer um comentário sobre ver o filme no cinema ou alugar depois nas locadoras, vejam no cinema. O som ajuda (e muito) a dar aquele clima de terror e, para quem não gosta de terrir, vai realçar o susto e valer o preço do ingresso. Se vocês não entenderam a mensagem ainda, VÃO ASSISTIR! Esse post quer dizer pura e exclusivamente isso, sendo você um neurótico viciado em O Exorcista, Seven, A Noite dos Mortos Vivos ou Todo Mundo Um Pânico, vá.

Sam Raimi, que no fundo odeia filmes de terror, abusou das maldições, crenças e bizarrices nesse filme. E quando falo em bizarrices falo daquelas bravas mesmo. O diretor não poupou gosmas, insetos asquerosos e vômitos desnecessários –que aliás, todos tinham um imã fortíssimo para pararem na boca da protagonista Alison Lohman, a garota que uma única vez decidiu ser gananciosa e escolheu a vítima errada para isso.
Além do longa ter as características exigidas para dar um bom susto, todas as cenas são muito bem produzidas e, mesmo o final sendo um tanto previsível, foi um bom final feliz/infeliz/feliz... Depende do ponto de vista. Eu penso que foi feliz, visto pelo lado de que eu poderia respirar novamente depois. Não é lá um daqueles terrores que te dão muito tempo para acalmar os ânimos, sabe? Daqueles que você vê o dia amanhecer, se ajeita na poltrona e pensa “Uff, ainda bem que agora as coisas só voltam a acontecer de noite”. Não, o demônio não faz distinção dos horários mais assustadores.

O filme teve uma sessão especial em Cannes esse ano com todo o glamour envolvido e ainda conta com o ator Justin Long, que não sei porquê eu adoro, acho que me lembra alguém.

Bom, essa é minha dica, me desculpando pela ausência de posts e não tendo desculpas suficientes para que seja desculpada. Espero, sinceramente, que a moda Terrir retorne, eu adoro.


Ahhhh. A Revista Set desse mês trouxe um especial 100 filmes mais assustadores de todos os tempos. Já fiz minha listinha dos que ainda não vi para passar na locadora essa semana. A Volta dos Mortos-Vivos (George Romero) de 1968, O Iluminado (Stanley Kubrick) de 1980 e Psicose (Alfred Hitchcock) de 1922 apavoram sobre o pódio em primeiro, segundo e terceiro lugar respectivamente, apontando, para mim, aquela velha frase “Não se faz mais filmes (de terror) como antigamente”. Há!

Dêem vocês também suas opiniões, na minha, Poltergeist deveria estar no topo, ou bem próximo dele e bem longe de mim. Um bom e assustador agosto a todos.

domingo, 24 de maio de 2009

Um giro pelas telonas.

Bom, aí vão umas dicas, ou umas críticas de alguns filmes que andei assistindo essas semanas e que ainda podem ser “arrebatados” por ai. Bom, como sou contrária a preconceitos cinematográficos antecipo aqui que REALMENTE assisto qualquer tipo de produção, até o filme do Corinthians (e quem me conhece sabe o quanto isso é adverso), “Fiel”, é só tocar a campainha aqui em baixo ou dar uma ligada.

Eu sempre dou uma lida na Set aqui em casa antes de escrever algo porque sempre tem uma curiosidade bacana, hoje não terá. As minhas últimas edições se extraviaram pelo meu quarto e devem aparecer nos próximos dias. Paciência...

Tava dando uma olhada no www.adorocinema.com.br e constatei que eu assisti os três primeiros filmes do ranking Top 10 de 15 a 17/5, então acho que os comentários podem servir para algumas escolhas.

Na primeira posição: Anjos e Demônios

O escritor Dan Brown derrubou o mutante das garras de aço em uma semana. Maior bilheteria do País, Anjos e Demônios segue a mesma linha do Código Da Vinci, mas, na minha opinião, a sequência se saiu melhor que o primogênito (lembrando que, na ordem cronológica literária, Código da Vinci é sequência de Anjos e Demônios, não o contrário).

Li o livro há mais de cinco anos e confesso que não lembrava de todos os detalhes, na verdade não lembrava de quase nada, nem da bomba que destruiria o Vaticano. O que tinha na memória tinha porque li o Best Seller na época em que o Papa João Paulo II faleceu e acompanhei o conclave real nas telinhas e o conclave ficcional de Dan Brown. Imagina uma leitora empolgada tendo algo para alimentar a criatividade, eu estava insuportável.

Para quem nunca leu o livro a história pode dar aquela canseira cerebral que acontece quando se tem milhares de informações ao mesmo tempo, para quem leu, isso também pode acontecer. Infelizmente Ron Howard não poderia mesmo mostrar todos os detalhes de forma lenta, ou o longa, que não é nenhum filminho de 1:30h, duraria 5h.

Nunca fui a favor de Tom Hanks no papel de Robert Langdon, quando li o livro imaginava um galã, não o Forrest Gump –a imagem do Forrest sempre vai ser Tom Hanks para mim-. Acredito que esse tipo de filme, assim como Senhor dos Anéis, Harry Potter, Diário de Bridget Jones precisam ter como protagonistas atores desconhecidos, porque ser protagonista de um “Mais Vendido” vira uma marca para toda a vida e não se é marcado se já se tem uma marca, vira bagunça.

Mas o filme é uma boa pedida, ficou muito melhor que o primeiro -que sinceramente me decepcionou- e vale ser visto pela fotografia do Vaticano, necrópole, Anjos, Demônios, passagens secretas, ligações históricas, ufa. Quase não dá para respirar. E claro, adoro Audrey Tatou (que fez a ‘mocinha’ do primeiro longa, Sophie Neveu) e sua Amèlie Poulain, mas Ayelet Zurer como Vittoria Vetra ficou muito mais semelhante com o que eu imaginava lendo o livro.


Seguindo o fluxo: Wolverine.

Quem acompanhou a história nos quadrinhos da Marvel odiou, quem nunca leu nenhuma delas, gostou, quem gosta de uma aventura e de ver os mutantes no SBT enquanto almoça, vai adorar. Eu gostei da produção, mas achei a história um tanto água com açúcar. Não vou escrever tanto porque conheço até que superficialmente bem a história, comparando-me a leigos, mas se algum fissurado em X-men resolver ler isso eu vou apanhar. Então prefiro não me atrever. Entendo um pouco mais de Homem-Aranha e Homem de Ferro, mas como vem mais produção por aí e pretendemos chegar aos Vingadores, vou me informar melhor.

O que percebi é que a Marvel tentou linkar algumas histórias e se perdeu em outras. Teve uma necessidade de fazer aparecer milhares de mutantes que, se tirados da história, não fariam diferença alguma. Apenas diminuiriam o glamour da trama e o frissón de apaixonados pelo Gambitt, por exemplo, como eu.

Diria então que a Marvel se perdeu um pouco na proposta e inventou histórias desnecessárias, mas entendo a dificuldade de tratar com fãs, deve ser complicado agradar a todos tendo limites na produção, nem todo mundo entende.


Terceiro colocado: Divã.

É diversão garantida. Estava saindo do cinema e encontrei um casal de amigos que comentou: “Nossa, então era a sua risada que a gente estava ouvindo.” E eu juro que minha risada é tímida, só de vez em quando ela resolve dar o ar da graça. Mas o pior foi depois, que a guria falou “É o típico filme coroa solteirona” e eu me senti, por um momento, constrangida e “coroamente solteirona”, mas o momento passou.

Preciso ressaltar que Lília Cabral é uma atriz e tanto e conseguiu me prender em todos os momentos do filme. Zé Mayer no papel do marido típico também caiu como uma luva, pelo menos para mim, que não li o livro. Queria ter lido.

Acredito que as mulheres vão não só entender e se identificar, mas curtir muito mais o filme que os homens. Mas eu declaro que havia um homem nos acompanhando ao cinema e ele se divertiu horrores, acho que é a minha sugestão principal entre as quatro produções que estou citando.


Quarto colocado, ou sétimo no ranking: Monstros vs Aliens


Colocação? Sessão da tarde. É legalzinho, mas não tem nada de diferente que faça dele uma grande animação. Os personagens são fofos, engraçadinhos e salvam o mundo, mas acaba por aí. Isso é horrível, mas se alguém tiver outra opinião, me diga, porque meu vício Disneyês sempre me deixa confusa e me faz achar todo o resto, resto.

Mas levem a criançada, elas vão gostar. Talvez apenas seja uma produção infantil, não infantil/juvenil/adulto como estão sendo todas.



Bom, estão aí algumas dicas. Claro que o lado pessoal sempre ajuda e minha paixão por filmes nacionais auxilia na “puxação de sardinha” para o lado de Divã, mas o filme realmente é bom e vamos lá, minha gente, é tão melhor ver coisas que estão mais próximas de nós. Por mais distante que estejam não é todo dia que o Hugh Jackman vem ao Brasil fazer o lançamento de um filme, já a Lília Cabral, dá para encontrar na rua, quem sabe.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

As letras de Saramago pelos olhos de Meirelles

A minha vida literária/cinematográfica começou com Harry Potter, acho eu, estou meio desmemoriada hoje. Mas sabe lá Deus quantos anos eu tinha. A partir da leitura do primeiro livro do bruxo londrino, comecei a descobrir a magia das produções adaptadas para as telonas e não parei mais. Senhor dos Anéis, O Exorcista, Entrevista com Vampiro, O Conde de Monte Cristo, Anjos e Demônios e cia, HQ’s. Eu e meu país das maravilhas, não excluindo dessa lista a história da própria Alice e dos contos infantis que, bom, para quem costuma fazer contação de história, são indispensáveis.

No entanto, com a abertura dessa brecha entre a história escrita e a ‘assistível’, criei também uma mania horrível, a de achar que sou melhor que o roteirista. “Ah, não acredito que reduziram AQUELA cena a isso”; “Poxa, cortaram o Tom Bombadil e a guerra do Condado? De onde veio esse amor todo do Aragorn pela Arwen? Quem foi o filho da mãe que acabou com o filme?”; “Como não vai ter o Carnificina no Homem-aranha???”; “Mas quem teve a idéia de deixar o Duas Caras morrer? Tinha que ter um filme só dele!”

Posso ficar aqui até amanhã...

Continuando, hoje uma coisa me surpreendeu. Não assisti Ensaio Sobre a Cegueira quando estava sendo exibido nas telonas porque, não adianta, sendo ele Saramago e sendo o outro Meirelles, eu me obriguei a ler o livro antes. Demorei, confesso. Uma pena. Aqui, em público, digo, e será apenas uma vez na vida: Avaliando o conjunto, eu não mudaria nada.

Calmaaaaaaaaa! É claro que vou reclamar se não, não seria eu.

Como assim a vizinha da mulher de óculos escuros não apareceu? Eu sentia rebuliços no estômago toda vez que algum momento dela era descrito e esperava, sinceramente, vê-la. A cena das mulheres da Ala I se entregando aos homens da Ala III me deixou muito mais sensibilizada no livro, mas acredito que isso é coisa de mulher. É muito mais doído ler a íntegra a imaginar uma cena com silhuetas e luzes baixas. Mas o momento em que elas lavam a mulher que faleceu durante o ato é memorável e digno de congratulações. A luz ficou perfeita, a trilha perfeita, as expressões perfeitas.

Achei o cego do Mark Ruffalo um tanto suspeito, ele parecia ver demais. Não sei se era essa a intenção, mas eu não gostei em alguns momentos. Aí tudo depende da imagem que você tinha do livro também, eu imaginava o médico e sua mulher uns dez anos mais velhos que os atores, ou talvez o peso dos personagens deles pedia essa velhice, mas ficou bacana.

É preciso escancarar a ótima interpretação de Gael García Bernal, que eu adoro, mesmo quando não gosto dos filmes e que, em Ensaio Sobre a Cegueira conseguiu me convencer de todas as maneiras possíveis. Seria desnecessária a simples afirmação de ele estar cego, isso se via. Alice Braga... Bem, ficou a lata da personagem, mas acho que fizeram um furdúncio tão grande em cima da atuação dela que acabou me fazendo esperar demais.

Ah, não posso deixar de falar da cena na igreja. No livro, o momento em que a mulher do médico diz que os santos e as pinturas têm os olhos vendados de branco eu cheguei a arrepiar, mas poxa, eles não deram muita moral pro momento no filme. Essa cena era marcante, não deveria ter sido assim. A chuva também, no livro ela espanta as pessoas, no filme, convida.

Achei sem graça também a mistura de “raças” do filme, achei que, no mínimo, todos deveriam falar português (Talvez, por Saramago, o de Portugal), mas aí a misturar olhos puxados, “Hola” e “What”’s, não tinha necessidade. Mas como a exigência do autor era de que o país em que a história se passasse não fosse possível de revelar, quem sou eu para discutir? Antes de assistir eu tinha até um pouco de preconceito, admito, pelo fato de terem atores hollywoodianos e tal, já achei que a obra –que valeu, sim, um Nobel- ia virar Pop. Mas me enganei, o filme tem um estrutura própria, uma arte própria e uma facilidade de incomodar os olhos de quem assiste que é incontestável.

Bom, agora vem alguém e me pergunta “Mas você não disse que não mudaria nada?” Sim, eu disse, e complementei com a expressão: avaliando o conjunto. Fernando Meirelles está de parabéns, ele foi bem fiel ao livro. Mesmo tendo que cortar alguns momentos, o que é compreensível quando se quer produzir um filme que não seja um E o Vento Levou, o diretor conseguiu colocar as cenas mais importantes da trama, e o melhor, conseguiu interligá-las, o que é o maior problema das adaptações, em minha opinião. Alguém sempre fica sem entender.

Para finalizar, não vou dizer que todo mundo vai entender a trama, muita gente não gostou do filme e eu compreendo, mas aviso que não é erro de continuidade, tipo Código Da Vinci. Acredito que algumas pessoas podem não ter gostado do livro também, mas não é por ser ruim (longe de mim, o livro é um soco na mente, como disse uma vez um crítico), mas porque estamos acostumados a histórias lineares, auto-explicativas e com um final que dê sentido óbvio a todo o resto, o que não acontece nem no filme, nem no livro. É aquele tipo de arte para se pensar, re-pensar, re-pensar, re-pensar e começar a enxergar. É coisa de Saramago.


“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Duas palavras: Clint Eastwood


Tenho em mãos a vontade, na cabeça a idéia e, no momento, nenhum conhecimento. Escrevo aqui um texto completamente emocional.

Estive dias atrás em São Paulo, batendo um papo no melhor estilo ‘cinematógrafo’ com o diretor de fotografia Uli Burtin e saí desse encontro com um filme na cabeça. Filme esse citado por ele em vários momentos e com uma classificação de atual memorável. Começo então meu destrinchar emotivo Gran Torino. Aliás, preciso tentar escrever numa velocidade maior que meus pensamentos.

Antes de ver o filme li uns artigos sobre ele e, em um, uma frase me chamou a atenção. O autor dizia que não havia visão mais assombrosa do que ter que encarar Clint Eastwood pelo retrovisor. Concordo. Gran Torino já é nome de clássico, não é? Bom, o filme é drama da primeira cena ao claquete final, ou seja, não é a combinação: amigos, pipoca. É um filme solitário, que precisa acontecer sozinho, e ser visto sozinho. Provavelmente, ao sair do cinema não vão rolar comentários, risadas ou coisas do gênero, talvez umas expressões corriqueiras daquelas de quando não se tem nada a dizer.

A construção do filme é simples e sem ares de grande produção Hollywoodiana, o que acaba por puxar ‘involuntariamente’ toda atenção para Eastwood. Aliás, As cenas de luz baixa são ótimas, elas sempre chamam a minha atenção.

Em Menina de Ouro o diretor e ator considerado 2º no ranking dos 100 melhores astros do cinema já mostrou o seu jeito paterno na relação aprendiz/professor, o que se repete em Gran Torino. Uma pena a interpretação do garoto Thao (Bee Vang) ter deixado a desejar, mas em frente ao que seria um monstro sagrado, chega a ser compreensível. O filme fala sobre preconceito, valores, família, religião e Eastwood, que completa 50 anos de carreira, consegue reunir tudo o que já mostrou que sabe fazer em outras produções em uma trama cheia de humor sádico, claro.

Um detalhe que me incomodou o filme todo foi a falta de trilha sonora, eu até me peguei em alguns momentos imaginando que para finalizar tal cena, a entrada de uma música em determinado momento faria toda a diferença. Mas não podia, ele, ter se esquecido desse detalhe. A ausência de notas musicais intermediando a trama acaba por dar uma sensação mais dramática a história e porque não -e como não dizer- que também dá a ela um toque maior de realidade.

Voltando a Uli Burtin, ainda me veio ele na memória em outro momento da história, na violência. Durante a conversa discutimos a necessidade ou não de se explicitar agressões e, como não poderia faltar, lembramos o quanto Laranja Mecânica foi violento sem tampouco fazer esses momentos serem vistos. A cena mais forte de Gran Torino talvez seja a que menos ‘exponha’ em todo ele. E aí voltamos aos sons, os quais eu simplesmente não os percebi nessa cena. A ausência de falas acessíveis a língua nos faz pensar em toda a cena que não vimos e faz de um momento, o momento, não o do filme, mas das imagens que nós mesmos reproduzimos daquilo. Confuso, não é? Assista a cena do desaparecimento da menina e depois pare para pensar se em algum momento você ouviu que eles estavam falando. Eu não ouvi.

Preciso abrir uma ressalva para a expressão de Eastwood, lá pelo meio do filme é possível você se perceber com aquela mesma massa torcida de cansaço na face que ele exibe o filme todo, é quase contagiante. Claro que a produção tem defeitos, como qualquer outra, mas como eu disse que o meu texto seria completamente emotivo e escrito sob uma visão só (de quem viu o filme a meia hora), ainda não encontrei um bom defeito. Encontrei sim, a interpretação do hmong Thao. Mas pela vontade de fazer cinema de Eastwood eu digo, Gran Torino tem lugar certo, a partir de hoje, na minha prateleira. E não digam que o diretor não é tudo que eu escrevi nessas linhas, porque ele até o meu Word reconhece.

domingo, 8 de março de 2009

Alex Supertramp: Aquele que tinha tudo, mas não tinha nada.


Cinco palavras, um questionamento e dependendo da resposta a expressão é distorcida e uma veia salta na testa. “Você já viu esse filme?” Ô perguntinha chata para qualquer cinéfilo. Chata não por poder iniciar uma conversa sobre o assunto preferido dele, mas pelas três letras que podem formar duas palavras contrárias e que fazem dessa uma questão de peso equivalente a um “ser ou não ser” (cinéfilo, no caso). São elas “sim” e “não”.

Para alguém que se sente “enturmado” em meio a sétima arte, ser questionado de algo que não viu é terrível, como se fosse possível que esse ser humano normal pudesse assistir todas as produções. E quando eu digo todas, são todas. E entre todas (todas) muitas vezes nós perdemos a oportunidade de vidrar os olhos em algumas produções dignas de não serem perdidas. Felizmente ainda existem locadoras e infelizmente alguém tem que trabalhar para poder sustentá-la ao invés de assistir filmes o dia todo.

Dias atrás eu tive a façanha de ser questionada sobre o mesmo filme por nada mais nada menos que três pessoas em 24hs e, olha que sensação maravilhosa, eu não o tinha visto. No entanto a janela do meu quarto é muito baixa, isso significa que eu apenas quebraria uma perna com o tombo. Então, lutei contra a minha autocrítica que repetia “Três pessoas!” e fui a locadora alugar “Na Natureza Selvagem”.


Dica instantânea: Pare de ler, assista ao filme e volte aqui para comentar, adoro opiniões diversificadas. Bom, a produção é baseada em uma história real e dirigida por um atorzinho aí ganhador de Oscar[s] (com toda a ironia), Sean Penn. Aliás, ele gostou da coisa e está querendo mesmo largar a atuação para se dedicar a direção de longas. É uma perda para um lado e um ganho para o outro.

Bom, eu gosto de Emile Hirsch desde Alpha Dog, mas tive uma decepção de leve em Speed Racer. De qualquer maneira ele ficou ótimo no papel de Christopher McCandless, o andarilho Alex. Vamos abrir um apêndice e dizer que a trilha sonora é Eddie Vedder puro, que lançou o seu primeiro cd solo com o filme que emplacou, enquanto que o cd... Bom. Não sei o porquê, eu emplacaria.

Sean Penn demorou dez anos para conseguir a autorização da família McCandless para transformar o livro em filme e fez um trabalho extraordinário. A fotografia é ótima também. O longa tem quase três horas de duração, mas não é cansativo e, o melhor, não é clichê. Apesar de ter me lembrado um pouco Brad Pitt e sua viagem ao Tibet.

Vale lembrar que não houve dublês em nenhum momento, ou seja, Hirsch é quase um Jackie Chan (que comparação, eu nem gosto dele). O interessante é a montagem que Sean Penn faz da história, ele mistura tempos e acontecimentos para que, no fim, tudo faça sentido e esteja interligado. Fiquei interessada também em ler o livro que originou o filme, que aliás, foi escrito por um cara que queria o mesmo que Christopher, liberdade e o mundo. Quando soube da história, o escritor resolveu passar por todos os lugares onde ele teria ido e acabou reencontrando pessoas que o conheceram e contaram sobre o tempo que tinham passado com o andarilho. E aí veio a idéia do livro baseado nos relatos dessas pessoas que participaram, de certo modo, da trajetória de Chris McCandless, além das anotações do diário dele. Resumindo, é uma história de libertação, amor, autoconhecimento e felicidade.

Quem ainda não assistiu, fica aí a dica. Aliás, se tiver TV a cabo facilita, porque o filme está sendo reprisado há vários dias em algum dos 1872819729 Telecines. Só para finalizar, um amigo meu me questionou, não se eu havia visto o filme, mas sobre as conclusões que eu tinha tirado ao vê-lo. Respondi: “Conhece Tom Jobim? Sabe quando ele escreveu –em Wave- aquela frase: É impossível ser feliz sozinho? Foi mais ou menos isso.”

E para não perder o costume, eu pergunto: Já assistiu o Na Natureza Selvagem?



“A felicidade só é real quando é compartilhada” Chris McCandless

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Mais vale uma unanimidade burra que um individualista sem conhecimento


Tudo bem. Me condenem, exorcizem, o que for. O carnaval também me pegou de jeito e eu acabei fugindo com algumas responsabilidades. Mas, passadas as badalações carnavalescas, estou de volta.

O dia 27 de fevereiro, hoje, se tornou um marco em minha vida. Estava juntando os cacos pós marchinhas de São Luiz do Paraitinga e pensando o quanto qualquer tipo de arte é particular e única, mas que nenhuma é tão atuante quanto o cinema. A verdade é que toda percepção depende do tamanho do interesse e o interesse está completamente ligado ao estado de espírito.

Vou colocar de um modo mais palpável, então. 2001 Uma Odisséia no Espaço é um marco da ficção científica 40 anos após seu lançamento. Algumas pessoas vão querer me matar por isso, mas eu não gostei. Juro que tentei e achei a trilha perfeita e algumas cenas ótimas como às de gravidade zero e a sequência maravilhosa de quando os tripulantes tentam manter uma conversa confidencial e Hall, o computador, lê seus lábios. A forma com que o diretor edita essa cena deixando-a clara, mas sem insistência, é linda. Mas isso não tira de mim a idéia de que Stanley Kubrick fez um filme para ele e isso o transforma, para mim, em gênio. O filme fez sucesso mesmo sendo uma sucessão de imagens que saíram da cabeça de um maluco (no bom sentido da palavra). Confesso que me senti aliviada ao ler que a premiére do filme em 1968 no Pantage Theater, Los Angeles, balançou os espectadores a decidir entre um sucesso e um fiasco. Decidindo pelo sucesso, por fim.

Mas que cargas d’água tem a ver tudo isso? Sou fã do Stanley Kubrick de carteirinha, de O Iluminado a Laranja Mecânica, só para ratificar. Mas a idéia é mostrar o quanto gostar de cinema é algo particular e o quanto escrever cinema é algo individualista. Individualista, sim, ao ponto de se dizer impossível ao imparcial. Mas, é importante ressaltar que imparcial não quer dizer egoísta, ou seja, para reclamar cinema é preciso conhecer cinema sem fazer cara feia.

Assisti -esses dias- há alguns filmes que podem gerar caras feias e que merecem ser lembrados. Once – Apenas Uma Vez é um drama irlandês que ganhou o prêmio da academia de Melhor Canção Original em 2006 (enquanto eu ainda babava em Guillermo Del Toro e seu labirinto dos sonhos) e ninguém comenta o filme só porque está fora da cornucópia Hollywoodiana. Eu assisti e protesto. Ele incomoda a quem assiste porque estamos ‘adestrados’ ao método dos grandes e ao pastiche das montagens norte-americanas. Mas é um filme sutil e está entre os meus indicados agora, principalmente para quem gosta de música porque a produção é em notas, o clima é pura música. Há uma leveza e argúcia que prende a atenção e a delicadeza do final é memorável.

Assisti também a um filmasso de 1962 (eu e meus filmes monocromáticos), de Luis Buñuel, O Anjo Exterminador. Hoje a produção seria pouco aceita porque nós, infelizmente, procuramos uma explicação para tudo. Mas a montagem cômica -sendo ela extremamente macabra- da situação é fantástica. Quem puder assistir, alugue. Mostra a história de um jantar do qual os convidados simplesmente não conseguem ir embora. Há, na verdade, uma pesarosa aceitação da situação e, inconsciente ou não, eles se ajeitam até o momento em que percebem que, de algum modo, estão presos àquele lugar. As horas se estendem por dias em uma amarga sátira sobre uma linha invisível que impede essa saída.

Mas eu estava comentando o dia de hoje e o porquê de ter me marcado. Adolph Lukor disse que o cinema falado nunca daria certo por ser barulhento demais e impedir que as pessoas durmam durante a projeção, deu no que deu. Auguste Lumière jurou que o cinema não tinha futuro comercial e, por fim, Renato May comentou ser o cinema uma arte de colaboração e, o filme, obra de um só. Hoje assisti, pela primeira vez, um filme em 3D (Nem no parque da Mônica eu fui). Com aqueles óculos (que infelizmente tive que devolver) e borboletas voando em nossa direção. Coraline e o Mundo Secreto é a primeira animação em stop-motion feita originalmente em 3D e lembra, em muita coisa, o Estranho Mundo de Jack. Não só lembra como tem semelhanças provadas.

Há pouco tempo saímos da era DVD e entramos no Blue-ray e já estamos migrando do 3D para o 4D e o IMax (A primeira sala foi inaugurada em janeiro no Shopping Bourbon, em São Paulo). O segredo da qualidade da imagem IMax está no tamanho do filme, na utilização de várias câmeras e equipamentos especiais. Vualá! É só por um óculos 3D que uma ampliação do tamanho natural pode saltar da tela. O preço é que desanima, se ir ao cinema já sai caro e a instalação de uma sala IMax custa seis vezes uma sala comum, o ingresso vale a bagatela de R$30. Ainda verei se vale a pena.

De qualquer maneira, tentando não me prolongar mais, se os irmãos Lumière não acreditavam na Sétima Arte ela, hoje, movimenta um comércio próprio feito de muito investimento, opiniões diversas, invenções criativas e tecnologias quase sem barreiras criadas de um para todos, mas não necessariamente aceita por todos. E se o cinema não é unânime tão quanto é particular, eu só posso continuar sentada na mesma poltrona de couro vermelho queimado e encosto de madeira do século passado e decidir por mim assistindo tudo o quanto possível, sem perder nunca essa oportunidade de respeitar e ver o mundo pelos olhos de alguém que veja além dos meus. Que a carapuça sirva. Boa noite e boa sorte.