quinta-feira, 13 de junho de 2013

O hangover de Pacino, Walken e Arkin

Ontem um amigo me perguntou por que eu não parava de falar em “Stand Up Guys” (no Brasil chama “Amigos Inseparáveis”) e questionou o motivo de eu querer tanto mostrar o filme para ele. Listando as minhas considerações acabei por resolver fazer o mesmo para o blog, afinal, quem por acaso passa por aqui merece sair com pelo menos um filme para alugar que seja de convencimento meu. E de hoje em diante quando me pedirem dica de longas, sem dúvida, essa será uma.
A história é a seguinte, Val acaba de cumprir 28 anos de prisão e no dia de sua saída é recepcionado por Doc, seu antigo parceiro do crime. A amizade dos dois é colocada em xeque, uma vez que Doc foi escalado por um líder criminoso para assassinar Val assim que saísse da cadeia. As últimas horas da dupla precisam, então, ser aproveitadas da melhor forma: drogas, mulheres, perseguições, roubos, pancadaria, tiros e a reunião de velhos amigos.
Imaginemos o seguinte, “Hangover” ("Se Beber Não Case") é a franquia de comédia mais rentável dos últimos tempos, então temos em “Stand Up Guys” uma história no estilo “Hangover”, em que três grandes amigos têm menos de 24h para realizar vontades reprimidas. Mas calma, o que faz de “Stand Up Guys” um filme infinitamente melhor é a experiência contida nele.
Inicialmente experiência etária. Todos os fanfarrões envolvidos têm mais de 70 anos, o que faz da história engraçada por si só, além de ter aquela pitada de responsabilidade e vivência que só os anos podem proporcionar. Eles não saem destruindo tudo como se não houvesse amanhã, eles saem dando lições de moral a muito marmanjo como se não houvesse amanhã.
Continuando a falar de experiência, há um ponto que não carece discussão. Você tem Al Pacino, Christopher Walken e Alan Arkin protagonizando o longa. É de tirar o fôlego só de ver os caras juntos. Pacino com aquele olhar louco Scarface que é a única parte dele que não envelhece, Walken com seu jeito tão tranqüilizador que beira a psicopatia e Arkin que é sempre Arkin, que dá vontade de rir até quando está respirando por uma bomba de oxigênio. Para mim, o cara é o eterno avô da Little Miss Sunshine Olive, daquele filme sensacional que lhe rendeu um Oscar coadjuvante em 2007.
Acredito que a experiência já seria suficiente pra me fazer querer ver o longa, mas para os cinéfilos mais exigentes eu ainda tenho outros motivos para indicar “Stand Up Guys”. Eu diria que os três personagens são RocknRollas para Guy Ritchie nenhum botar defeito. E olha que para eu dizer que alguém fora o Mark Strong é um RocknRolla precisa muito, já que o personagem Tio Archie (RocknRolla) é amor eterno substituído apenas por Tony Montana (Scarface) e Travis Bickle (Taxi Driver).
Fora isso o filme tem um quê de Tarantino fenomenal. Não, não é Tarantino, mas por diversas vezes me lembrou o estilo “Cães de Aluguel”. O diretor, aliás, eu nunca tinha pesquisado e descobri que até vi uns filmes dele, mas só quando olhei bem a foto de Fisher Stevens percebi que a feição dele não me era estranha, o cara é conhecido por papéis secundários em diversos longas.
Um momento especial para mim em “Stand Up Guys” foi a cena que remeteu ao meu filme preferido com Pacino desde a infância. Eu sei que todo mundo pensa no “O Poderoso Chefão”, mas não, é “Perfume de Mulher”. Quem gosta do longa tanto quanto eu também vai se emocionar no momento em que o velho Al Pacino convence uma jovem a conceder a ele uma dança. Não há o glamour do hotel luxuoso, nem as notas de “Por Una Cabeza” e a cena até poderia ser descartada do filme, mas para mim foi de uma nostalgia de dar sorrisos bobos para TV. Fiquemos então com a cena original de “Perfume de Mulher” como inspiração AQUI.
Bom, e para finalizar a trilha de Stand Up Guys foi escolhida pelo Bon Jovi, já é a terceira vez que eu escuto toda ela hoje e a letra de Not running anymore está começando a me causar sensações esquisitas. Portanto, o filme vale para quem gosta de música, quem gosta de comédia, quem gosta de Tarantino, Guy Ritchie, de Pacino, Walken e Arkin ou para quem só quer ver um bom filme.
“It’s time to kick ass, or chew gum. And guess what? I’m all out of gum.”
TRAILER "STAND UP GUYS"

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Nas telonas: O quarto Gatsby

Quando Baz Luhrmann colocou Nicole Kidman sentada em uma balanço, no meio de um Cabaré, cantando, o mundo presenciou a cena de um dos filmes mais belos já produzidos para o cinema. Como qualquer musical, houve quem suspirou e quem praguejou, mas ninguém pode dizer que “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” (obra de 2001, indicada a seis Oscar e vencedora de duas categorias) não é de uma beleza de encher os olhos.
Antes de “Moulin Rouge” o diretor australiano já havia se arriscado na paleta de cores e no seu gosto para trilhas ao dirigir “Romeu e Julieta”, em 1996, uma versão mais atual do drama clássico de William Shakespeare e que tinha no papel principal o galã Leonardo DiCaprio. O longa não era um musical, mas tinha na direção de arte e na trilha sonora todo um aparato eloqüente para prender o espectador durante suas 2h de duração.
Agora mais maduro e reconhecido na sétima arte, Luhrmann volta aos cinemas para mostrar que continua gostando das mesmas coisas que o fizeram ser lembrado em seus longas anteriores. Depois de “Austrália”, filme de 2008 que teve novamente Nicole Kidman como protagonista e que não causou a mesma repercussão das outras duas produções, Luhrmann decidiu fazer com “O Grande Gatsby” o que muitos diretores têm feito para manter-se no auge: recorrer a fórmula de retorno certo das adaptações literárias.
O Grande Gatsby é considerado a maior obra do autor F. Scott Fitzgerald e um marco da literatura norte-americana. O romance faz um retrato dos anos 20, também conhecidos como a Era de Ouro, período fértil artisticamente (o início das grandes estrelas de Hollywood e o surgimento do jazz), com os avanços industriais (principalmente com a popularização dos automóveis, telefones e eletricidade) e uma demanda de consumo acelerada. Tudo isso é capturado no livro de Fitzgerald, que mostra a ascensão do bem sucedido Jay Gatsby, um recém-criado milionário de West Egg, que é completamente apaixonado por Daisy Buchanan, seu amor perdido ele anseia reconquistar.
O problema e a solução de Luhrmann acabam por se encontrar em um mesmo lugar. “O Grande Gatsby” é tão famoso na literatura americana que já foi adaptado para o cinema três vezes, sendo a atual uma quarta reconstrução da história, o que tornou o projeto desde o início um possível fracasso em termos de crítica cinematográfica.
Em 1927 quando Fitzgerald e a esposa foram assistir a uma prévia da primeira adaptação, Zelda Fitzgerald saiu da sala de projeção dizendo que o filme era “podre, horrível e terrível”. Mais de 20 anos se passaram até a segunda adaptação em estilo cinema noir e outros tantos vinte correram até o filme de 1974, que contava com o galã Robert Redford e a estrela Mia Farrow nos papéis de Gastby e Daisy e com um roteiro de, nada mais nada menos, que o poderoso chefão Francis Ford Coppola.
Inicialmente a adaptação de 1974 tinha tudo que um grande filme precisava, nomes de peso e uma história que as pessoas queriam ver. Mas provavelmente se Zelda estivesse viva não teria um comentário muito diferente de “podre, horrível e terrível” para fazer com relação ao longa. “O Grande Gatsby” de 1974 tem um estilo clássico e é, não por poucas vezes, cansativo de ver.
E os críticos continuam se perguntando quantas vezes Gatsby ainda irá transportar para a tela sua paixão louca por Daisy? Na trama, o garoto pobre cria para si um personagem em torno da fortuna para se colocar no plano da rica herdeira. Mas ainda assim há uma coisa que o dinheiro não compra, o sangue. Gatsby tem seu mundo inventado destruído pelo casal Tom e Daisy Buchanan pela quarta vez no cinema.
Os personagens, aliás, não têm nada de normal. Tom pode ser rico de berço, mas é um refém de sua própria ignorância, enquanto Daisy remonta a perfeita mulher ingênua e usa isso como privilégio para não ter consciência do que faz. O único com ciência de tudo que acontece na trama é o narrador Nick Carraway, primo de Daisy.
Debate
Ainda que o passado condene a adaptação, a mais nova versão de “O Grande Gatsby” surpreendeu Hollywood ao render US$ 51 milhões (R$102 milhões) no seu fim de semana de estreia nos cinemas dos Estados Unidos, um exemplo claro do trabalho de marketing desenvolvido em torno do projeto.
Quem tem acompanhado o universo cinematográfico sabe que as datas de estréia dos filmes não são escolhidas aleatoriamente, seguindo a finalização do projeto. Existem estudos que comprovam que, nos Estados Unidos, filmes lançados durante o verão recebem menos bilheteria que no período de inverno porque, por exemplo, ele é acalentado por fazer um aquecimento para o Oscar.
“O Grande Gatsby” estava previsto pela Warner para estrear no fim de 2012 por ser basicamente um longa com ‘cara de Oscar’, não de Blockbuster. Quando a distribuidora resolveu mudar a estréia para o verão estadunidense muitos pensaram que ela havia desistido do sucesso da obra, o que provou ser completamente o contrário meses depois. Primeiro que a Warner tinha “Argo” que, não por menos, levou a estatueta de Melhor Filme no Oscar 2013. Segundo que o que se viu e ouviu após o adiamento da estréia de “O Grande Gatsby” foi provavelmente o grande responsável pelos números surpreendentes nas bilheterias.
A verdade é que a Warner começou, desde então, a compartilhar curiosidades, informações e notícias sobre o filme nas redes sociais. A trilha sonora surpreendente para um filme de época - que conta com Jay-Z, Beyoncé, Lana Del Rey e Florence and the Machine em meio a ascensão do Jazz nos anos 20 – foi uma das mais buscadas pelos internautas, Leonardo DiCaprio voltou a ser foco de comentários e entrevistas e a presença dele no filme rendeu discussões infindáveis e o sucesso do livro veio a tona, tudo ao mesmo tempo. A conseqüência disso é que o debate chegou ao topo das mídias virtuais, das impressas e, porque não, do boca a boca. Mais uma prova de que a propaganda é realmente a alma do negócio.
Versão
“Nenhum fogo poderia destruir o conto de fadas que ele tinha em seu coração”, conta Tobey Maguire no papel de Nick Carraway ao descrever o Gatsby de Luhrmann. Enquanto Maguire ressurge em um papel de visibilidade que não vai tirar dele a sina de Homem-Aranha morno, mas que já é um avanço, Carey Mulligan é uma perfeita dama que, contudo, fica a mercê do elenco masculino da trama, que reúne toda a força do espetáculo.
E “O Grande Gatsby” é tudo isso que Baz Luhrmann faz com maestria: um espetáculo bem conduzido. A primeira parte do filme recebeu inúmeras reclamações dos críticos por ser criada em torno dos artifícios de cabaré que fizeram de “Moulin Rouge” um sucesso com seu mundo de festas, plumas, maquiagens e paetês. A segunda parte tem o tom mais duro e, porque não dizer, trágico de “Romeu e Julieta”. E nas raras ocasiões em que o diretor permite que DiCaprio, Mulligan, Maguire e Joel Edgerton (que interpreta Tom, o marido de Daisy) ganhem espaço entre o figurino perfeito e a fotografia encantada, os quatro fazem um papel surpreendente.
A trilha sonora é um espetáculo a parte e prova o quanto uma boa escolha musical faz diferença em um filme. Nem sempre a mistura entre o antigo e o novo de Luhrmann funciona, mas em “O Grande Gatsby” ele soube escolher bem seus representantes.
Talvez se Zelda e Scott Fitzgerald estivessem vivos para ver essa quarta adaptação eles não sairiam do cinema tão desapontados. Claro que o conhecimento pessoal pesa um pouco mais quando a trama tem inspiração nas tragédias da sua própria vida, mas ninguém pode dizer que o trabalho não foi feito, e bem feito.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Esse tal João de Santo Cristo

Quem foi adolescente na década de 90 tinha duas obrigações irrefutáveis: alimentar o bichinho virtual e decorar a letra de Faroeste Caboclo, música da banda Legião Urbana. Não era uma época como agora, em que se abre um site, digita o nome da canção e logo recebe a ficha técnica com letra, cifra e vídeo referente no youtube. As opções para reunir os 168 versos da música com mais de nove minutos de duração se resumiam ao encarte do CD ou a alguém de bom coração e tempo livre que resolvesse transcrever e fazer cópias para os amigos.
Composta em 1979 e lançada oficialmente em 1987 no álbum “Que País é Esse”, Faroeste Caboclo simbolizou toda a descrença no sistema governamental de uma geração que não saia mais para as ruas para protestar (como seus antecessores criados pela ditadura militar), mas que usava a letra do vocalista Renato Russo para mostrar que, embora não se envolvessem em manifestações, estavam indignados. Faroeste Caboclo virou uma bandeira a ser defendida e um hit de sucesso com ar revolucionário.
Portanto não parece novidade a notícia de que a letra, que conta uma história com começo, meio e fim, se transformou em um filme. Foram 26 anos desde o lançamento da música mais famosa da Legião Urbana até 30 de maio de 2013, dia em que será lançada a adaptação de Faroeste Caboclo para os cinemas. O trailer do longa, publicado na internet no início de abril, recebeu mais de dois milhões de visualizações em menos de uma semana. Para exemplificar o que isso significa o sucesso de bilheterias “Tropa de Elite 2” teve apenas 930 mil visualizações no mesmo período.
Trama
Protagonizado por Ísis Valverde, Fabrício Boliveira e Felipe Abib, o longa é uma adaptação da música homônima. Ela narra a trágica história de amor entre Maria Lucia (Ísis) e João de Santo Cristo (Boliveira), rapaz de origem humilde que sai de casa em busca de uma nova vida, mas se envolve com o tráfico de drogas e começa a colecionar inimigos, entre eles Jeremias (Abib), com quem trava uma briga pessoal pelo amor de Maria Lucia.
O roteiro do longa foi escrito por Marcos Bernstein (“O Outro Lado da Rua”) e Victor Atherino com auxílio do escritor Paulo Lins -autor do livro que gerou o sucesso Cidade de Deus- e a direção ficou sob a responsabilidade do estreante em longa-metragens René Sampaio. A Copacabana Filmes adquiriu os direitos de adaptação para o cinema da música em 2005 e depois de muito burburinho os fãs finalmente podem começar a se preparar para um filme que promete boas críticas.
Adaptação
Para o desespero dos fã-clubes do personagem João de Santo Cristo, a história, por mais fiel a letra de Renato Russo, também precisou de algumas mudanças para poder agregar sentido a trama. Afinal, o roteiro é uma adaptação e, como tal, precisou sofrer ajustes para se encaixar na nova mídia.
O filme começa com a trajetória de João desde sua infância conturbada na Bahia até partir para Brasília. A composição de Renato Russo também segue a estrutura cronológica, mas não conta de forma detalhada a maneira que o protagonista conhece Maria Lucia e Jeremias.
No longa, Jeremias e Maria Lucia fazem parte de uma turma de amigos que se conhece desde a infância e João entra no grupo ao se interessar pela garota. A partir de então a trama se desenrola como propõe a música e termina no trágico duelo entre ele e Jeremias por causa do amor da jovem.
Renato Russo
Ao falar sobre Faroeste Caboclo Renato Russo descreveu: “é uma mistura de "Domingo no Parque" de Gilberto Gil, e coisas do Raul Seixas com a tradição oral do povo brasileiro. Brasileiro adora contar história.”
O autor da música morreu em 1996, no auge do sucesso da canção, aos 36 anos por causa de complicações causadas pela AIDS. Além de “Faroeste Caboclo”, os fãs também poderão acompanhar nos cinemas a trajetória de vida do artista pelo filme “Somos Tão Jovens”, em cartaz a partir do dia três deste mês.
O longa, ao contrário do que muitos pensam, não é um documentário e sim uma obra ficcional. Tendo como diretor Antonio Carlos da Fontoura e no papel principal o ator Thiago Mendonça, o filme foi produzido no mesmo período de “Faroeste Caboclo” e pode ser um ‘aperitivo’ para os fãs mais impacientes.
Curiosidades
“Faroeste Caboclo” foi o último trabalho do ator Marcos Paulo, que faleceu em 11 de novembro de 2012 aos 61 anos, quando o filme já estava em pós-produção.
*matéria publicada na revista Valeparaibano de maio/2013
Trailer do filme Faroeste Caboclo AQUI.
Música AQUI.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Império Stark em contagem regressiva

Há poucos dias da estreia de "Homem de Ferro 3" o cine-rosebud traz um apanhado de toda a história para preparar vocês.
Os super heróis dos quadrinhos sempre tiveram seu espaço no cinema, mas nunca a categoria foi tão adaptada para as telonas. Hoje, entre filmes de suspense, comédia e ação, por exemplo, a “adaptação de HQ” já está praticamente listada como um gênero cinematográfico, com regras e estilos próprios. Não é por menos que 2013 está repleto dessas produções, elas são campeãs de bilheteria e resultam em um retorno, além de significativo, garantido para os exibidores. E esse bom resultado deve se repetir 26 de abril, quando acontece o lançamento de “Homem de Ferro 3” nos cinemas do Brasil.
Nessa nova trama, o multimilionário Tony Stark, interpretado por Robert Downey Jr, vai enfrentar além de um inimigo a altura seus próprios pesadelos, literalmente. Stark deixa um pouco de lado seu egocentrismo e individualidade para nesse terceiro longa-metragem se tornar mais humano a partir do momento que teme não conseguir proteger sua namorada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow).
O vilão da vez é o Mandarim, transportado para as telas pelo vencedor do Oscar Ben Kingsley, que decide atacar tudo que Stark ama com força total, destruindo sua mansão e reafirmando seus pesadelos ao capturar Pepper. Para enfrentá-lo, o Homem de Ferro precisa superar seu medo de fracassar e definir se é a armadura que faz um herói, ou o contrário.
Personagem. Tony Stark sempre foi o herói da tecnologia. Sem nenhum poder especial, o que o fez cair no gosto do público foi exatamente o estigma anti-herói que ele carrega: um homem cheio de defeitos e que utiliza o dinheiro para criar protótipos que o tornam super. Este novo filme pretende confrontar a realidade de Stark, obrigando o personagem a exigir mais de si, da sua inteligência, perspicácia e humanidade e, ao mesmo tempo, menos dos recursos tecnológicos.
Desafio. Homem de Ferro 1 estreou nos cinemas em 2008 como o primeiro filme produzido pela Marvel Entertainment sem a participação de qualquer distribuidora. Isso aconteceu um ano antes de a editora ser vendida para a Disney por $4 bilhões (aproximadamente R$8 bilhões).
Mesmo sendo pouco comentado no Brasil fora do universo das HQs, o primeiro filme causou um furor na sétima arte e foi praticamente um divisor de águas da velha e da nova geração de adaptações desse gênero para o cinema e o verdadeiro pontapé inicial para a super produção mais comentada de 2012, “Os Vingadores”. Até então apenas “Hulk” (2003) tinha sido lançado e não agradou completamente o público, mas a Marvel se redimiu meses depois de “Homem de Ferro 1” com o lançamento de “O Incrível Hulk” (2008). A partir de então foram produzidos “Capitão América: o Primeiro Vingador” (2011), “Thor” (2011) e finalmente a reunião de heróis mais comentada dos últimos anos –já que a Liga da Justiça continua praticamente engavetada- “Os Vingadores”, unindo Homem de Ferro, a Viúva Negra, o Arqueiro, Thor, Capitão América e Hulk.
O desafio de “Homem de Ferro 3” é seguir a mesma linha de sucesso de “Os Vingadores”, o que não será uma tarefa fácil, já que mesmo o longa sendo o primeiro filme Marvel com distribuição Disney e foi a maior bilheteria da história do cinema brasileiro e a terceira maior do mundo.
Em entrevista, o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, explicou que, por mais que exista o desafio, a idéia não é superar o longa anterior. “Nós queríamos uma história com Tony Stark em foco, com sua vida destruída, ver como ele lida com um arquirrival sem poder contar com a armadura e devolvê-lo à caverna, metaforicamente, com uma caixa de tralhas, como no primeiro filme. Se fosse algo do tamanho de “Os Vingadores” acho que Shane (Black, diretor do longa) não se interessaria e não seria a pessoa certa para o trabalho. Mas para aprofundar a jornada pessoal de Tony Stark, Shane é o cara perfeito.”
Origem (por Claudio Leyria).O Homem de Ferro foi criado pelo mestre dos super-heróis Stan Lee, com ajuda do irmão Larry Lieber, e com concepção visual dos desenhistas Don Heck e Jack Kirby. Sua primeira aparição foi no gibi “Tales of Suspense”, de março de 1963. Isso mesmo, o Homem de Ferro é um cinquentão.
Quando foi lançado, fervia a guerra do Vietnã. E Stan Lee imaginou Tony Stark, um gênio da mecatrônica, inspirado no milionário americano Howard Hughes. Stark, em visita ao Vietnã a negócios, já que estava atuando no mercado de armas, acaba sendo atingido por uma explosão e estilhaços da bomba atingiram seu peito, ameaçando seu coração. Stark foi capturado e levado ao terrível Wong Chu, que o forçou a construir uma poderosa arma para os vietcongues. O engenheiro criou um sistema magnético para manter os estilhaços longe de seu coração e criou uma rudimentar, mas eficiente armadura, para se livrar dos inimigos. Isso tudo com a ajuda de Yin Sen, outro gênio prisioneiro. Sen ajuda Stark a fugir e isso lhe custa a vida.
No cinema, no filme lançado em 2008, apenas o cenário mudou. Em vez de Vietnã, agora é Oriente Médio. Depois daquela primeira armadura que parecia um robô dos seriados dos anos 40, Stark foi se aperfeiçoando. Hoje, a lista de modelos já ultrapassa 20.
Depois de anos comercializando projetos bélicos e entendendo melhor o valor da vida, principalmente porque Sen lhe deu a sua, Stark se torna o Homem de Ferro, herói a serviço da justiça, da lei e da ordem.
Como acontece com a maioria dos personagens da Marvel, com o passar destas cinco décadas, o personagem foi sendo lapidado, se tornando mais humano. Para o Homem de Ferro, os roteiristas lhe prepararam um inferno pessoal originado pelo alcoolismo. Quem viu os dois primeiros filmes, sabe que um dia este vício vai lhe trazer muitos problemas.
Nos quadrinhos, a bebida jogou Stark no fundo do poço, a ponto do Homem de Ferro ser assumido pelo amigo de Stark, o ex-militar James Rhodes, presente nos três filmes do cinema.
Desde sua criação há 50 anos, o Homem de Ferro já ganhou várias séries de animação, afundou em um piloto de TV estilo "O Homem do Fundo do Mar" e teve vários games. Seu primeiro filme no cinema marca o início de produção cinematográfica pela própria Marvel (sem a infraestrutura dos outros estúdios, como acontecia desde "X-Men", de 1999). O auge do Homem de Ferro na telona foi sua participação destacada em "Os Vingadores".
Futuro. Ainda esse ano a Marvel lança “Thor 2 - O Mundo Sombrio”. A sequência de “Os Vingadores” deve estrear nos cinemas apenas em 2015.
Trailer de Homem de Ferro 3 Aqui.
Críticas que já estão na rede:
Omelete.
Matéria publicada na revista Valeparaibano do mês de abril.2013

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Capas e matérias da série OSCAR 2013 do Viver&

Matéria de 24 de fevereiro do O VALE aqui.
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Matéria de 23 de fevereiro do O VALE aqui.
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Matéria de 22 de fevereiro do O VALE aqui.
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Matéria de 21 de fevereiro do O VALE aqui.
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Matéria de 20 de fevereiro do O VALE aqui.
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Matéria de 19 de fevereiro do O VALE aqui.
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Matéria de 17 de fevereiro do O VALE aqui.
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Matéria de 16 de fevereiro do O VALE aqui.
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Matéria de 15 de fevereiro do O VALE aqui.
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Matéria de 14 de fevereiro do O VALE aqui.
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É HOJE!!!!! - Um ano para errar todos os pitacos

Sem unanimidades, surpresas podem apimentar festa
10 metros de largura e 150 metros de comprimento, o conhecido tapete vermelho chegou a Hollywood Boulevard na quinta-feira e foi colocado em seu devido lugar, o antigo Teatro Kodak, que hoje se chama Teatro Dolby.
Com nove filmes indicados na categoria Melhor Filme, o Oscar 2013 possui algumas curiosidades. “O Lado Bom da Vida”, por exemplo, é o único filme da edição com chances de conquistar o “Big Five”, as estatuetas de Melhor Ator, Atriz, Diretor e Roteirista. Além disso, é o primeiro em 30 anos a ser indicado nas quatro categorias de atuação.
Favoritismo. “Argo”, longa de Ben Affleck, é indicado em sete categorias, incluindo Melhor Filme, e é o favorito ao principal prêmio da noite. Também concorre na categoria Melhor Filme “As Aventuras de Pi”, que deve levar o Oscar de Melhor Fotografia e concorre ainda em outras 10 categorias. O filme custou U$ 120 milhões (R$ 240 mi) e já está entre as grandes arrecadações da história do cinema mundial, com US$ 576 milhões (R$ 1 bi).
Steven Spielberg também disputa as principais estatuetas com o longa “Lincoln”, estrelado por Daniel Day-Lewis, favorito ao Oscar de Melhor Ator e que, se receber o prêmio, será o primeiro na história a conquistar três vezes a principal categoria de atuação. “Lincoln” é o filme com mais indicações dessa edição, somando 12 possíveis estatuetas. Também na disputa por Melhor Ator está Hugh Jackman por seu ex-presidiário que busca a redenção em “Os Miseráveis”. Jackman está impecável em sua atuação e, se levar o prêmio, será o primeiro a recebê-lo por um musical desde 1964, quando Rex Harrison fez “Minha Bela Dama”.
Quentin Tarantino tem de novo o seu pupilo Christoph Waltz concorrendo ao prêmio de Ator Coadjuvante por sua atuação em “Django Livre”. O longa, que foi indicado em cinco categorias, provavelmente não levará nenhum prêmio hoje. A única categoria em que realmente pode levar a estatueta é a da indicação de Waltz.
Conhecida por ter desbancado o ex-marido James Cameron e levado os principais prêmios da Academia em 2010 com “Guerra ao Terror”, a diretora Kathryn Bigelow volta à disputa com “A Hora Mais Escura”, um novo filme com trama de guerra indicado em cinco categorias, e que tem boas chances de receber Roteiro Original e Melhor Atriz.
Surpresa. Ainda assim, uma pequena jovem tem chamado todos os holofotes para si. Quvenzhané Wallis é a mais nova mulher indicada na categoria Melhor Atriz da história do Oscar. Com apenas nove anos, ela carregou a história de “Indomável Sonhadora” nas costas e merece o prêmio. Entretanto, é improvável que a Academia o entregue a ela exatamente por ser muito nova.
O longa independente que furou o cerco comercial de Hollywood também recebeu outras três importantes indicações: Melhor Filme, Diretor (para o estreante Benh Zeitlin) e Roteiro Adaptado. E, sim, tem chance nas três.
Finalizando as indicações a Melhor Filme, há um drama francês de causar incômodo que foi considerado por muitos o melhor filme do ano. “Amor”, de Michael Haneke, concorre a outras quatro estatuetas, incluindo Diretor, Melhor Atriz e Roteiro Original, sendo a última categoria uma grande possibilidade.
Edição cheia de peculiaridades
Mesmo com menos indicações que “Lincoln”, “Argo”, filme do ator e diretor Ben Afleck, é o favorito a Melhor Filme da noite.
Se levar a estatueta, o longa vai entrar para a história como a quarta produção a receber o prêmio sem concorrer na categoria Melhor Diretor.
Quando a lista de indicados foi anunciada, no início de janeiro, a ausência do nome de Ben Affleck entre os concorrentes a Melhor Diretor gerou discussões e opiniões diversas em Hollywood, já que ele venceu prêmios como o Globo de Ouro, o Bafta e o do Sindicato dos Diretores exatamente na categoria de direção.
Outros. Além de “Argo”, outros três diretores que concorrem na categoria Melhor Filme não foram indicados para Melhor Direção. São eles: Kathryn Bigelow, por “A Hora Mais Escura”, Tom Hooper, pelo drama musical “Os Miseráveis” e Quentin Tarantino, por “Django Livre”.
Particularidades. Nesta edição, também estão reunidas a atriz mais jovem e a mais velha a concorrerem na categoria Melhor Atriz. Emannuele Riva, que completa 86 anos hoje (dia da premiação) e Quvenzhane Wallis, que possui 9 anos.
Seth MacFarlane, que será o apresentador do Oscar 2013, também é um dos concorrentes. Ele foi indicado na categoria Melhor Canção Original por “Everybody Needs a Best Friend”, da trilha de seu filme de estreia, “Ted”. Antes dele, apenas duas pessoas competiram no mesmo ano em que atuavam como apresentadores: Paul Hogan, como Roteirista por “Crocodilo Dundee”, em 1987, e James Franco, como ator por “127 Horas”, em 2011
Clique paraver a lista de indicados.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

OSCAR - Para fazer adulto chorar

Em 'Indomável Sonhadora', a atriz mais jovem a concorrer ao Oscar carrega o filme inteiro nas costas -e não decepciona
Quando a cena fecha um close up no rosto da jovem atriz Quvenzhané Wallis, com seus cabelos espetados, a sensação que dá é de que a câmera está trabalhando para ela, e não o contrário. A distorção quando o mesmo close é feito na menina de vestido azul e cabelos obrigatoriamente ‘domados’ no abrigo é de abrir um buraco no estômago. Wallis sabia perfeitamente o que estava fazendo.
Você nunca viu nada como “Indomável Sonhadora”, filme do diretor estreante Benh Zeitlin que concorre a quatro Oscars, incluindo Melhor Filme, Diretor e Melhor Atriz para Quvenzhané Wallis, a mais jovem indicada ao prêmio da história, com apenas nove anos.
Na história, Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) é uma menina de apenas 6 anos que vive com o pai doente em uma comunidade miserável isolada às margens de um rio na Louisiana. Alcoólatra e explosivo, ele se recusa a procurar ajuda médica. Sempre preparados para a ‘Banheira’ – que é como chamam a comunidade — sumir sob a água, pai e filha acabam vivendo entre barracos e o barco improvisado na caçamba de uma caminhonete.
Ao som de folk, com ares de documentário e câmeras de mão, o longa surpreende logo na primeira cena, quando a voz da jovem narradora começa a expressar pensamentos. Diferente do que Hollywood costuma fazer com suas crianças prodígio, “Indomável Sonhadora” é um filme construído completamente pela perspectiva de Hushpuppy e por isso é tão encantador.
“Na Banheira tinha mais férias que no mundo inteiro”, diz a garota no prólogo, e a frase simboliza toda a forma de vida da comunidade. O povo, esquecido pelo governo e pelas pessoas da cidade (que construíram uma barragem separando os dois mundos), vive de forma primitiva, comendo o que a natureza oferece. Os dias na Banheira são sempre dias de festa, mesmo se alguém morrer, já que “na Banheira é proibido chorar”. Não há emprego com hora marcada, não há patrão, não há regras. Só sobreviver.
Com título original parecido com “Bestas do Sul Selvagem”, a tradução brasileira tentou focar o imaginário infantil cheio de sonhos da pequena Hushpuppy e errou de primeira. O filme não trata de sonhos, mas de uma vivência que chega a ser folclórica dos personagens, que creem na existência de criaturas mitológicas que vão ressurgir com o derretimento das geleiras, os aurogues.
A realidade dura da comunidade pelos olhos da garota não tem nada de sonhador ou sentimental. Hushpuppy precisa cuidar do pai, que o tempo todo lhe ensina o quanto a vida é cruel.
Wallis. Zeitlin encontrou em Quvenzhané Wallis o tom perfeito para seu filme. O diretor foi extremamente ousado ao apostar o peso de toda a produção nas costas da garota. No entanto, ela, como em uma cena do filme, abriu o peito, mostrou os músculos e disse: “Eu sou o homem aqui”. E como gente grande, o fez.
O longa fez lembrar o estilo de filme do diretor Terrence Malick (“A Árvore da Vida”) e também “Onde Vivem Os Monstros”, mas ainda assim é uma obra única. Digna, mesmo que com pouca possibilidade, de Melhor Filme, e forte candidata a Roteiro Adaptado e, sim, a Melhor Atriz, mesmo que seja improvável a Academia premiar uma criança, o que seria impreterivelmente merecido.
Ficha:
Indomável Sonhadora Diretor: Benh Zeitlin
Indicações: 3 Oscar
Avaliação: Excelente Chances de receber Melhor Atriz e Roteiro Adaptado
Assista ao trailer aqui.