quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Religião, política, futebol E cinema não se discutem.

Ok, ok. Vamos começar tirando a teia de aranha do trenó do Cidadão Kane. Essa semana inventei uma válvula de escape e vi todos os filmes que estavam passando no cinema dessa grande cidade do interior do MS e pequena em relação as menores de São Paulo. Pasmem. Eram numerosos trêêês longas em exibição e, como se em algum lugar alguém ouvisse minhas preces, havia UM legendado.

Mas hoje não estou aqui para falar exatamente dos três, mas de situações que geram discussões, que geram opiniões contrárias, que geram críticas. Essa semana duas coisas me chamaram a atenção no mundo cinematográfico nacional, uma foi a indicação do longa Lula O Don... Ops, o Filho do Brasil pelo Ministério da Cultura como representante brasileiro candidato a uma vaga no Oscar e a outra girou em torno da produção e críticas da adaptação do livro do espírita Chico Xavier, Nosso Lar.
Brincadeiras à parte, Nosso Lar me encantou do início ao fim. Eu já havia gostado do filme Chico Xavier, mas admito que tinha receio do que podia ser Nosso Lar por causa das reconstruções, dos efeitos digitais e do uso do Chroma Key. Depois de ir ao cinema e encarar o desconhecido, vejo a experiência como um passo do Brasil para o futuro e fiquei muito orgulhosa do conjunto da obra. Primeiro porque estamos investindo em nós. Por mais que a trilha sonora e os efeitos digitais tenham sido criados por estrangeiros, vejo Nosso Lar como um ponta pé inicial, um teste, um aprendizado que, na minha opinião, está dando certo. Já aviso que vou repelir quem vier discutir comigo que Transformers é mais bem feito que Nosso Lar. Pudera, são 123 milhões de dólares A MAIS em produção. Isso não é discutível, nem comparável. O que vim dizer é que o longa teve o maior orçamento da história do cinema nacional até agora, R$20 milhões, deixando para trás a história do nosso quase ex-presidente, em que foi utilizado cerca de R$15 milhões. E o que isso quer dizer? Que está valendo a pena investir mais em cinema, que o brasileiro está vendo filmes nacionais.
Claro que estamos falando de um público que entra na classe das coisas indiscutíveis, a religião e os espíritas. Mas eu, que não me considero de uma única religião recomendo o longa a quem gosta de um bom filme. Ressalto a cena do Holocausto, achei fantástica. A trilha e a maneira como foi montada me emocionaram e em momento algum vi como falta de respeito a entrada no Nosso Lar das vítimas que carregavam como símbolo a estrela de Davi. Na verdade imaginei bem o contrário e, sinceramente, exatamente o que eu sempre acreditei, que existe apenas uma religião com diversas crenças, mas que, no fim, nos encontraremos no mesmo lugar, sejam Católicos, Protestantes, Espíritas, Budistas, Judeus, etc...
Enquanto eu buscava, após a sessão de Nosso Lar que assisti, o orçamento e críticas do filme para conhecer outras opiniões, percebi que havia um novo rebuliço no cenário de notícias sobre a Sétima Arte nacional. Cineastas criticavam, jurados defendiam e o Brasil ficava sabendo que Lula, O Filho do Brasil foi o filme escolhido para tentar concorrer ao Oscar.
Me desculpem os adeptos, mas antes de criticar penso que um filme, para ser escolhido para representar um país pode, inicialmente, ser escolhido pelo povo. O que não foi bem o que aconteceu. Para quem lembra, em janeiro desse ano, depois de meses de propaganda (quase apelativa, quase política), o longa não teve a repercussão imaginada e até mesmo o triste acidente do diretor Fábio Barreto chamou bem mais atenção no tapete vermelho. Eu vejo sim a grande figura internacional de Lula como um ponto positivo em tudo isso, como disse Fernando Meirelles em entrevista, é um rosto conhecido internacionalmente e isso é importante. Mas tivemos, nesse ano, tantos filmes bons que poderiam representar o país que não acredito que tenha sido a escolha certa. Uma sugestão? Suprema Felicidade, que traz novamente ao cinema Arnaldo Jabor depois de 20 anos sem dirigir. O filme está chegando aos cinemas agora, mas tem um trabalho e história fantásticos. Temos tantas montagens mais simples e igualmente belas nas telas (e sem apelo) que me pergunto se precisávamos mesmo que fosse a tentativa frustrada de um novo Dois Filhos de Francisco que deveria nos representar?
Conheço bem a frase que diz que religião e política não se discutem, mas o progresso que vejo no cinema nacional após Nosso Lar e o retrocesso que sinto com o Lula, o Filho do Brasil nos representando me fazem pensar que a política exercida de forma errada no nosso país pode estar alcançando o cinema, e perguntar “será que mandando nele também?”. É só algo que me incomodou. Mas eu espero sinceramente que não e que, como água e óleo não misturem política e cinema para que a nossa Sétima Arte não perca o que faz dela brasileira, a personalidade.



Ah, e o futebol nisso? Bom, hoje é quarta-feira, dia de jogo na TV e quem quiser procurar nos cinemas está passando Bróder, uma produção nacional com aquele jeitinho brasileiro que mistura a realidade das favelas, Copa do Mundo e amizade. Claro que não vai passar aqui, portanto, espero as críticas de vocês.

domingo, 6 de junho de 2010

Mais que apenas um filme na prateleira


Ano passado, mais ou menos nessa época, eu estava no Rio de Janeiro (“andando em Copacabana, assim, com jeito de fim de semana...”) assistindo ao Mulher Invisível no Cine Odeon, lá na Cinelândia, e me encantando com as poltronas vermelhas, o saguão com azulejo xadrez, a cara de cinema antigo misturando o retrô, o cult e o pop. O Isaac, administrador do local, falava incessantemente sobre uma pré-estréia que iria acontecer na outra semana e que seria feita no local, o filme era Apenas o Fim.

Naqueles mesmos quatro dias cariocas eu e minha parceira de TCC conversamos com a coordenadora de marketing da Downtown Filmes, Cristiana Cunha, que falou muito sobre um projeto de um estudante de cinema da Puc Rio que foi abraçado pela produtora da Mariza Leão. O nome? Apenas o Fim. Essa semana eu achei o filme para comprar e já é a quarta vez que eu estou assistindo. Até decorei uma fala aqui, outra ali.

A história é simples e se baseia no fim do namoro dos dois protagonistas, interpretados por Érika Mader e Gregório Duvivier, e o filme todo gira em torno dos diálogos, ou seja, para quem é viciado em boas conversas cinematográficas como eu é fantástico! É triste, é normal, é inocente, é humano, sabe? Uma história de amor ao alcance. Ela resolve fugir e tem exatamente 1h para ficar com ele antes de ir e nesse tempo todo eles relembram, lavam roupa suja, encontram pessoas, blá blá blá. Só a cena do Marcelo Adnet eu achei estranha, mas passa.

Para um cidadão que viveu a infância e adolescência na década de 90 o filme retoma vários ícones da época, desde pokémon, Corrida Maluca, backstreet boys, Mario Bros, Vovó Mafalda, Bozo à Cavaleiros do Zodíaco e é fácil se identificar com os personagens o tempo todo, é tudo tão natural que parece que foi feito pelo seu vizinho que cresceu com você e fez o roteiro baseado na infância de vocês.

Bom, eu sou suspeita para falar sobre cinema nacional, mas fico cada vez mais feliz em ver filmes como esse, que não têm necessidade de ser polêmicos como um Cidade de Deus e um Tropa de Elite, que também não precisam estar em um patamar cult nacional daquelas produções sem pé nem cabeça e muito menos sem um final plausível. É apenas um filme de dia-a-dia, de convivência, daqueles que você assiste a qualquer momento, só por gostar. É um filme autobiográfico meu, seu, de quem quiser pegar para si.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Mundo Imaginário de Terry Gilliam

Sempre fui fissurada por contos de fadas e finais felizes. Ponto. Em 2005, por isso e pelo livro que leva o nome dos dois e que guardo como relíquia em casa desde 1997, quando, ainda criança escrevi: “Favor não estragar esse livro, ele é muito importante para mim”, resolvi ir ao cinema e assistir ao Os Irmãos Grimm de Terry Gilliam. Lembro que ainda estávamos na década passada do Cine Ouro Branco, quando as poltronas já não eram mais conservadoras e o som já beirava o 5.1. A sala estava vazia e eu fiquei dias pensando naquele filme, nos elementos que o ligavam às histórias de Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, Bela Adormecida, A Princesa e o Sapo, João e Maria, blá blá blá.

Há mais de um ano, passando pela sessão R$12,99 da Americanas eu agarrei um 12 Macacos, também de Terry Gilliam, e simplesmente adorei. Mas fiquei com aquela história toda de teoria do caos como uma pulga atrás da orelha, pensando como o mesmo diretor assinou produções tão diferentes.

Aí, quando vi uma chamada de O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus e, posteriormente, acompanhei as indicações ao Oscar, não parei quieta enquanto não assisti ao filme e... Ah... Que Terry Gilliam não é lá um diretor muito normal todo mundo sabe, que ele adora um tipo nonsense também. Mas eu posso estar sendo adiantada nas minhas conclusões, achei que a produção deixou a desejar.

Antes de qualquer coisa vou corrigir o comentário, a produção não deixoooou a desejar, aliás, ela foi fantástica. O filme é muito bem produzido, os efeitos são perfeitos e, se assistido no cinema deve, sim, pegar uns queixos caídos na platéia. Mas o roteiro me deixou com cara de paisagem.

Vamos parar para pensar... O que você espera de um filme que mistura o diabo, um contador de histórias, teatro, um mundo imaginário, um homem que aparece pendurado pelo pescoço e uma aposta por algumas almas? No mínimo algumas bizarrices e uma explicação boa no final, ou um final bom. Ao contrário do azar que Terry Gilliam tem, que já virou tabu e que chegou ao clímax em O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus com a morte do ator Heath Ledger no meio das filmagens, acredito que (infelizmente) o que deu certo no filme foi a morte de Ledger. Homenageado pelos amigos Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel, o ator foi substituído por eles nas cenas em que estava dentro do espelho, dando ao seu personagem a cara de alguém sem cara, cara de pau, duas caras, sei lá.

O filme me fez mais uma vez pensar no 3D e nos efeitos especiais, além de fazer eu me perguntar se no futuro teremos bons roteiros ou apenas bons efeitos. Eu posso estar sendo conservadora, mas fico com os roteiros, com os diálogos que surpreendem, com as histórias que nos enlaçam e com os momentos que nos passam a perna e nos fazem pensar: "Eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer". O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus não é o primeiro a me fazer pensar nisso e acredito que não será o último.

Há uma cena no filme em que Parnassus (Christopher Plummer) e o diabo conhecido como Nick (Tom Waits) falam sobre o fim das boas histórias, das histórias bem contadas, que fazem a imaginação parecer real. Os dois discutem o início de uma era tão racional que ninguém mais vai ter tempo para sonhar ou acreditar em um conto bem contado. Essa cena, para mim, coube perfeitamente na ideia que tenho tido do cinema atual. Será que um dia os efeitos serão tão fantásticos que as coisas simplesmente vão estar visíveis para todos de forma unilateral e tão clara que não precisaremos mais sentir, ouvir ou imaginar? Eu, sinceramente, espero que não.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Noticiando a Sétima arte

Como ando sem tempo e deixando alguns leitores na mão, de tantos em tantos vou postar algumas coisas sobre a Sétima Arte, mostrar que não morri, certo? I'll be back.

Inácio Araújo pergunta: "O 3D vai durar?"

"Saí do "Alice" ontem pensando se realmente o 3D vai emplacar.
Ou antes: vai emplacar em espetáculos infantis ou semi-infantis, animações, coisas assim. Isso é certo. Mas para o restante será que se aguenta?
Primeiro, acho uma chatice colocar aqueles óculos incômodos para ver o filme.
Segundo, a mim pelo menos, o processo cansa a vista. No "Avatar" senti isso claramente. No "Alice", menos, mas o filme é bem mais curto.
Terceiro, fiquei com a impressão de que as virtudes do "Alice" independem do 3D, enquanto uma parte considerável de seus problemas vem de lá.
É como se houvesse toda uma adaptação para que os efeitos funcionem melhor."
[...]

http://inacio-a.blog.uol.com.br/arch2010-05-09_2010-05-15.html#2010_05-10_13_06_50-135949845-0



Já Ana Maria Bahiana rebate e "des-rebate" o 3D


"O 3D veio mesmo para ficar- por um algum tempo, pelo menos. O Hobbit – que começa a ser filmado em junho na Nova Zelândia- será 3D. Numa entrevista recente, Steven Spielberg me disse que está convencido da importância do 3D como “uma ferramenta a mais” para o realizador. Mas ele acha que a coisa não vai parar aí: “A verdadeira mudança será a experiência completamente imersiva e interativa, obtida através de capacetes de realidade virtual.” Ele parou um pouco para pensar e depois acrescentou: “Fica dificil comer pipoca com esses capacetes. E infelizmente vai ser muito individual e isolante, vamos perder o senso de comunidade dos cinemas.” Também acho…. (e vocês?)"

http://anamariabahiana.blog.uol.com.br/

O Cineasta das platéias mais perto de nós?


Os filmes da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, considerado o primeiro estúdio de cinema profissional no Brasil, podem agora ser assistidos gratuitamente na internet. Quem disponibiliza o importante e histórico acervo é a Elo Company, empresa especializada em mídias digitais e distribuição de conteúdo audiovisual, fazendo uma importante contribuição não apenas aos fãs do cinema, como ao patrimônio histórico e cultural do país.[...]

http://www.omelete.com.br/cinema/acervo-da-vera-cruz-pode-ser-assistido-gratuitamente-na-internet/


E como não poderia deixar de comentar, sobre Vera Cruz e Mazzaroppi talvez D'Amore possa comentar, eu só espero que a possibilidade do Brasil se aproximar da história do seu cinema possa nos ajudar a valorizá-lo. E o 3D é o 3D, já Alice não é grande coisa. Há um tempo, dois anos mais ou menos, escrevi um artigo chamado "Pela não banalização da pipoca", agora estou pensando em escrever "Pela não banalização do 3D", já já vai virar carne de vaca. (Espero que até lá o cinema de Dourados tenha aderido a ele, pelo menos)

Ainda no giro pelas telonas várias coisas por aí, A Hora do Pesadelo (fui procurar o primeiro filme, de 1984 para alugar, não tinha ¬¬. Penso que os remakes servem apenas para dar um empurrãozinho nas produtoras para que passem o original para DVD, estou no aguardo), Homem de Ferro II (O I é melhor, os diálogos do II continuam bons, mas faltou ação), Almodovar vai dirigir Antonio Bandeiras, o próximo filme do Batman está no forno, Transformers, Missão Impssível IV. Agora eu pergunto, tem algum novo filme sendo feito? Estamos na era das sequências. Para finalizar, a minha sugestão é Chico Xavier, que tirando um chroma key zoado na cena da cachoeira, é fantástico. E para quem gosta de monstros destruidores de cidades (fico imaginando o Stitch gritando "Raaaaurr" e empurrando prédios de brinquedo), vem aí um novo Gódzila, que emoção, hãn. Aí sim, fomos surpreendidos novamente.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Terror com pitada de comédia, ou vice-versa - Zombieland


Comedores de cérebros, perseguidores incontroláveis, defuntos condicionados, zumbis. Desde pequena (com minhas ‘medrosisses’ à parte) nunca gostei da raça dos morto-vivos, mesmo aqueles que hoje eu acharia engraçados e que apareciam em A Volta Dos Mortos-Vivos (Dan O´Bannon) clamando por cérebro, mordendo cabeças e, consequentemente, produzindo um som de mordida não muito diferente de um sapato achatando uma barata. Algo como “Plac”. No entanto, fui surpreendida com um início de 2010 cheio de comentários sobre uma produção do gênero terror, incrementado pela comédia - ou vice-versa - e recheado de cadáveres sedentos por carne...viva.

Zombieland realmente me apanhou desarmada quando fui assisti-lo e, não ser pego assim, segundo o filme, é uma das regras fundamentais para a sobrevivência quando a grande maioria dos seus vizinhos, no lugar de um amistoso ‘bom dia’, vão tentar te comer. O filme não pode ser considerado algo mais que um passatempo, devo alertá-los, mas mesmo sem um enredo bem definido com início, meio e fim, acredito que há anos eu não via um longa de humor negro tão inocente, tão divertido e tão bem feito. Possivelmente o filme Todo Mundo Quase Morto (Edgar Wright ), de 2004, é o mais próximo.

Que o diretor George A. Romero iniciou a Sétima Arte na ‘zumbilândia’ com seu A Noite dos Mortos Vivos todo mundo sabe. Mas tente assistir ao filme de 1968 com um olhar contemporâneo e, no mínimo, você vai se perguntar onde começa e termina a história no meio daqueles defuntos ambulantes e dos personagens que simplesmente surgem. Foi me fazendo lembrar disso que os roteiristas de Zombieland (Rhett Reese e Paul Wernick) e o diretor iniciante (Ruben Fleischer) começaram a chamar a minha atenção, ali, naquele ponto em que eu senti falta de uma trama propriamente dita. Ao ver o filme é bem possível imaginar que alguém teve uma idéia relacionada à meia dúzia de pessoas que sobreviveram a uma epidemia que transformou todos os seres humanos em mortos vivos e a partir daí... Bom, a partir daí o diretor disse: “Vamos filmar assim e ver o que vai acontecer.” Foi mais ou menos essa a minha sensação.

É ao som de Metallica - “For Whom The Bell Tolls” que Columbus, (Jesse Eisenberg) um típico adolescente nerd, abre as primeiras cenas do longa narrando as regras –que criou- para sobreviver em uma cidade em que o único ser humano não afetado pela praga dos mortos vivos possivelmente seja ele. Condicionamento físico, atirar duas vezes, não esquecer o cinto de segurança e não bancar o herói fazem parte de suas anotações, que citam superficialmente o principal motivo de sua sobrevivência, ou o seu modo de vida, o isolamento.

Ao sair à procura de seus pais, que vivem na cidade de Columbus, o adolescente se torna companheiro de viagem de Tallahassee (Woody Harrelson), um homem que equilibra a covardia do garoto ao seu gênio explosivo, durão e principalmente sem um pingo de sanidade. É engraçado como Woody Harrelson está ficando marcado por seus personagens carismáticos, fortões e bobos. Desde Mera Coincidência (Barry Levinson) não consigo vê-lo de outra forma. Acho que impagável seria a palavra, ele fica ótimo no papel.

É na contínua tentativa de sobreviver que os personagens acabam encontrando as irmãs Wichita e Little Rock (Emma Stone e Abigail Breslin), que sem dúvida estão mais preparadas que eles para encarar os mortos vivos. Aliás, fiquei assustada ao ver o quanto Abigail Breslin, a eterna e que deveria ser pequena Miss Sunshine cresceu em apenas três anos. Em Zombieland ela não é apenas uma garotinha fofa de doze anos, ela é uma garotinha fofa de doze anos que carrega uma arma e não hesita em puxar o gatilho.

O interessante do filme é que quanto mais humanos aparecem, menos ‘zumbilesco’ ele fica, fazendo até você esquecer o tema em alguns momentos e apenas se divertir com as presepadas dos quatro personagens. E acredito que o diretor também acertou nesse ponto, em mostrar que quando não há outra opção é preciso seguir em frente da melhor maneira, fazendo comédia. De qualquer jeito, o espectador não critica a trama maluca porque, sem dúvida, está se divertindo demais para isso.

É a dicotomia dos personagens que faz cada diálogo bobo, engraçado. O anfitrião infantil e obcecado por bolinhos, a garotinha madura e segura, o garoto medroso, regrado e cheio de cautelas e a adolescente golpista e fria (destoando o par nerd), munidos pelo humor negro adotado na forma com que eles exterminam os zumbis –no caso de Harrelson principalmente–, como se fossem sacos de batata ambulantes e não pessoas. Para dar o toque final, as falas são repletas de analogias ao mundo pop atual - a atriz e cantora Hanna Montana, por exemplo -, o que não tira a graça de uma frase idiota retirada de algum filme que não seja lançamento, como quando Harrelson vai se despedir de Eisenberg e diz algo como “Vai lá, porco.” que, para quem não lembra, é a frase dita pelo fazendeiro Hoggett para seu porquinho pastor em Babe, O Porquinho Atrapalhado (George Miller).

Durante as filmagens os atores abusaram de improvisações e, por isso, adicionaram diversas falas aos seus personagens, o que pode ter sido o motivo do tom informal da produção. Mas nada se compara a surpresa que foi guardada a sete chaves até o dia do lançamento e que, se você não gostar de spoilers, pare de ler por aqui. A participação especial do ator Bill MurrAy interpretando ele mesmo deixa o espectador desacreditado, se questionando de que modo aquilo foi possível, de onde eles o tiraram e o porquê. Eu diria que quando você acha que eles não podem mais inventar algo completamente insano eles conseguem passar desse patamar e fazer uma homenagem ao ator em seus... Sei lá... Sete minutos de aparição, com direito a trilha sonora e sátiras de Os Caça-Fantasmas (Ivan Reitman) e da própria carreira de MurrAy. Não se assuste se a cena terminar e você se pegar rindo com cara de interrogação. Aliás, acredito que, para MurrAy, o filme foi uma ótima sacada para chamar atenção para que vem por aí, Os Caça-Fantasmas 3.

No mais, o filme é realmente uma boa pedida para esse início de ano e só tem um probleminha, você não espera que ele termine e, quando acontece, fica aguardando uma possível continuação. Mas, como é preciso se contentar com os 80 minutos da produção e repetindo o que diz Tallahassee várias vezes no decorrer do longa, aproveite as pequenas coisas, pois é a união delas que faz de Zombieland um bom filme.

Ah! Não esqueçam de esperar os créditos finais. Há também uma pequena coisa ali.

"É hora de enloquecer ou emudecer!" - Tallahassee

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Terror, Trash, Terrir. O retorno de Sam Raimi


Domingo a tarde, dia de cinema, sessão relaxo, Domingão do Faustão, ou, para os um pouco mais ousados e com o estômago nada fraco a Sétima Arte apresenta desde a semana passada o retorno do rei. Nada de Senhor dos Anéis e Aragorn, não, o que vem por aí é o rei do Terror Trash anos 80, o Terrir, Sam Raimi (Aquele mesmo, das premiações do Homem Aranha).

Sinceramente, eu saí do cinema com um sorriso de orelha a orelha, mas acho que fui a única. Meus acompanhantes esperavam realmente um banho de sangue no estilo Tarantino, sustos escandalosos e o pavor dando nos nervos. Admito, os sustos bem que não deixaram a desejar, mas o conjunto da obra Arrasta-me Para o Inferno foi um pouco além e, para mim, conseguiu uma coisa quase impossível em filmes de terror, um equilíbrio, nojento, porém equilibrado.

Para quem não lembra, na década de 80 Sam Raimi criou a apavorante série Uma Noite Alucinante (Evil Dead, A Morte do Demônio) que, por outro lado, conseguiu também ser uma das mais divertidas além de precursoras do terror “terrir”. Nesse oooutro século da história do cinema, a veia cômica do diretor continua intacta, com aquele mesmo estilo irritante de terror que não faz ninguém nem pular nem rir na poltrona e sim perguntar num tom incrédulo: “O que é isso?”, ou “WTF???”. No fim, dá no mesmo. Como eu disse, ele equilibra o medo e o riso.

Aliás, sem dúvida a maioria das pessoas que virem o filme vão sair muito bravos porque tinham a expectativa de terminar a sessão sendo confundidos com as poltronas de tanto se afundarem nelas. Se essa for a sua única intenção, esqueça. Maaas, se você for alguém com um pouco menos de preconceito cinematográfico e que assuma que qualquer programa de índio te divirta, vá fundo. Arrasta-me Para o Inferno é um programão de índio intenso. Vai lhe render bons sustos e, de quebra, belas caras de bobo. Só para fazer um comentário sobre ver o filme no cinema ou alugar depois nas locadoras, vejam no cinema. O som ajuda (e muito) a dar aquele clima de terror e, para quem não gosta de terrir, vai realçar o susto e valer o preço do ingresso. Se vocês não entenderam a mensagem ainda, VÃO ASSISTIR! Esse post quer dizer pura e exclusivamente isso, sendo você um neurótico viciado em O Exorcista, Seven, A Noite dos Mortos Vivos ou Todo Mundo Um Pânico, vá.

Sam Raimi, que no fundo odeia filmes de terror, abusou das maldições, crenças e bizarrices nesse filme. E quando falo em bizarrices falo daquelas bravas mesmo. O diretor não poupou gosmas, insetos asquerosos e vômitos desnecessários –que aliás, todos tinham um imã fortíssimo para pararem na boca da protagonista Alison Lohman, a garota que uma única vez decidiu ser gananciosa e escolheu a vítima errada para isso.
Além do longa ter as características exigidas para dar um bom susto, todas as cenas são muito bem produzidas e, mesmo o final sendo um tanto previsível, foi um bom final feliz/infeliz/feliz... Depende do ponto de vista. Eu penso que foi feliz, visto pelo lado de que eu poderia respirar novamente depois. Não é lá um daqueles terrores que te dão muito tempo para acalmar os ânimos, sabe? Daqueles que você vê o dia amanhecer, se ajeita na poltrona e pensa “Uff, ainda bem que agora as coisas só voltam a acontecer de noite”. Não, o demônio não faz distinção dos horários mais assustadores.

O filme teve uma sessão especial em Cannes esse ano com todo o glamour envolvido e ainda conta com o ator Justin Long, que não sei porquê eu adoro, acho que me lembra alguém.

Bom, essa é minha dica, me desculpando pela ausência de posts e não tendo desculpas suficientes para que seja desculpada. Espero, sinceramente, que a moda Terrir retorne, eu adoro.


Ahhhh. A Revista Set desse mês trouxe um especial 100 filmes mais assustadores de todos os tempos. Já fiz minha listinha dos que ainda não vi para passar na locadora essa semana. A Volta dos Mortos-Vivos (George Romero) de 1968, O Iluminado (Stanley Kubrick) de 1980 e Psicose (Alfred Hitchcock) de 1922 apavoram sobre o pódio em primeiro, segundo e terceiro lugar respectivamente, apontando, para mim, aquela velha frase “Não se faz mais filmes (de terror) como antigamente”. Há!

Dêem vocês também suas opiniões, na minha, Poltergeist deveria estar no topo, ou bem próximo dele e bem longe de mim. Um bom e assustador agosto a todos.

domingo, 24 de maio de 2009

Um giro pelas telonas.

Bom, aí vão umas dicas, ou umas críticas de alguns filmes que andei assistindo essas semanas e que ainda podem ser “arrebatados” por ai. Bom, como sou contrária a preconceitos cinematográficos antecipo aqui que REALMENTE assisto qualquer tipo de produção, até o filme do Corinthians (e quem me conhece sabe o quanto isso é adverso), “Fiel”, é só tocar a campainha aqui em baixo ou dar uma ligada.

Eu sempre dou uma lida na Set aqui em casa antes de escrever algo porque sempre tem uma curiosidade bacana, hoje não terá. As minhas últimas edições se extraviaram pelo meu quarto e devem aparecer nos próximos dias. Paciência...

Tava dando uma olhada no www.adorocinema.com.br e constatei que eu assisti os três primeiros filmes do ranking Top 10 de 15 a 17/5, então acho que os comentários podem servir para algumas escolhas.

Na primeira posição: Anjos e Demônios

O escritor Dan Brown derrubou o mutante das garras de aço em uma semana. Maior bilheteria do País, Anjos e Demônios segue a mesma linha do Código Da Vinci, mas, na minha opinião, a sequência se saiu melhor que o primogênito (lembrando que, na ordem cronológica literária, Código da Vinci é sequência de Anjos e Demônios, não o contrário).

Li o livro há mais de cinco anos e confesso que não lembrava de todos os detalhes, na verdade não lembrava de quase nada, nem da bomba que destruiria o Vaticano. O que tinha na memória tinha porque li o Best Seller na época em que o Papa João Paulo II faleceu e acompanhei o conclave real nas telinhas e o conclave ficcional de Dan Brown. Imagina uma leitora empolgada tendo algo para alimentar a criatividade, eu estava insuportável.

Para quem nunca leu o livro a história pode dar aquela canseira cerebral que acontece quando se tem milhares de informações ao mesmo tempo, para quem leu, isso também pode acontecer. Infelizmente Ron Howard não poderia mesmo mostrar todos os detalhes de forma lenta, ou o longa, que não é nenhum filminho de 1:30h, duraria 5h.

Nunca fui a favor de Tom Hanks no papel de Robert Langdon, quando li o livro imaginava um galã, não o Forrest Gump –a imagem do Forrest sempre vai ser Tom Hanks para mim-. Acredito que esse tipo de filme, assim como Senhor dos Anéis, Harry Potter, Diário de Bridget Jones precisam ter como protagonistas atores desconhecidos, porque ser protagonista de um “Mais Vendido” vira uma marca para toda a vida e não se é marcado se já se tem uma marca, vira bagunça.

Mas o filme é uma boa pedida, ficou muito melhor que o primeiro -que sinceramente me decepcionou- e vale ser visto pela fotografia do Vaticano, necrópole, Anjos, Demônios, passagens secretas, ligações históricas, ufa. Quase não dá para respirar. E claro, adoro Audrey Tatou (que fez a ‘mocinha’ do primeiro longa, Sophie Neveu) e sua Amèlie Poulain, mas Ayelet Zurer como Vittoria Vetra ficou muito mais semelhante com o que eu imaginava lendo o livro.


Seguindo o fluxo: Wolverine.

Quem acompanhou a história nos quadrinhos da Marvel odiou, quem nunca leu nenhuma delas, gostou, quem gosta de uma aventura e de ver os mutantes no SBT enquanto almoça, vai adorar. Eu gostei da produção, mas achei a história um tanto água com açúcar. Não vou escrever tanto porque conheço até que superficialmente bem a história, comparando-me a leigos, mas se algum fissurado em X-men resolver ler isso eu vou apanhar. Então prefiro não me atrever. Entendo um pouco mais de Homem-Aranha e Homem de Ferro, mas como vem mais produção por aí e pretendemos chegar aos Vingadores, vou me informar melhor.

O que percebi é que a Marvel tentou linkar algumas histórias e se perdeu em outras. Teve uma necessidade de fazer aparecer milhares de mutantes que, se tirados da história, não fariam diferença alguma. Apenas diminuiriam o glamour da trama e o frissón de apaixonados pelo Gambitt, por exemplo, como eu.

Diria então que a Marvel se perdeu um pouco na proposta e inventou histórias desnecessárias, mas entendo a dificuldade de tratar com fãs, deve ser complicado agradar a todos tendo limites na produção, nem todo mundo entende.


Terceiro colocado: Divã.

É diversão garantida. Estava saindo do cinema e encontrei um casal de amigos que comentou: “Nossa, então era a sua risada que a gente estava ouvindo.” E eu juro que minha risada é tímida, só de vez em quando ela resolve dar o ar da graça. Mas o pior foi depois, que a guria falou “É o típico filme coroa solteirona” e eu me senti, por um momento, constrangida e “coroamente solteirona”, mas o momento passou.

Preciso ressaltar que Lília Cabral é uma atriz e tanto e conseguiu me prender em todos os momentos do filme. Zé Mayer no papel do marido típico também caiu como uma luva, pelo menos para mim, que não li o livro. Queria ter lido.

Acredito que as mulheres vão não só entender e se identificar, mas curtir muito mais o filme que os homens. Mas eu declaro que havia um homem nos acompanhando ao cinema e ele se divertiu horrores, acho que é a minha sugestão principal entre as quatro produções que estou citando.


Quarto colocado, ou sétimo no ranking: Monstros vs Aliens


Colocação? Sessão da tarde. É legalzinho, mas não tem nada de diferente que faça dele uma grande animação. Os personagens são fofos, engraçadinhos e salvam o mundo, mas acaba por aí. Isso é horrível, mas se alguém tiver outra opinião, me diga, porque meu vício Disneyês sempre me deixa confusa e me faz achar todo o resto, resto.

Mas levem a criançada, elas vão gostar. Talvez apenas seja uma produção infantil, não infantil/juvenil/adulto como estão sendo todas.



Bom, estão aí algumas dicas. Claro que o lado pessoal sempre ajuda e minha paixão por filmes nacionais auxilia na “puxação de sardinha” para o lado de Divã, mas o filme realmente é bom e vamos lá, minha gente, é tão melhor ver coisas que estão mais próximas de nós. Por mais distante que estejam não é todo dia que o Hugh Jackman vem ao Brasil fazer o lançamento de um filme, já a Lília Cabral, dá para encontrar na rua, quem sabe.