segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Terror, Trash, Terrir. O retorno de Sam Raimi


Domingo a tarde, dia de cinema, sessão relaxo, Domingão do Faustão, ou, para os um pouco mais ousados e com o estômago nada fraco a Sétima Arte apresenta desde a semana passada o retorno do rei. Nada de Senhor dos Anéis e Aragorn, não, o que vem por aí é o rei do Terror Trash anos 80, o Terrir, Sam Raimi (Aquele mesmo, das premiações do Homem Aranha).

Sinceramente, eu saí do cinema com um sorriso de orelha a orelha, mas acho que fui a única. Meus acompanhantes esperavam realmente um banho de sangue no estilo Tarantino, sustos escandalosos e o pavor dando nos nervos. Admito, os sustos bem que não deixaram a desejar, mas o conjunto da obra Arrasta-me Para o Inferno foi um pouco além e, para mim, conseguiu uma coisa quase impossível em filmes de terror, um equilíbrio, nojento, porém equilibrado.

Para quem não lembra, na década de 80 Sam Raimi criou a apavorante série Uma Noite Alucinante (Evil Dead, A Morte do Demônio) que, por outro lado, conseguiu também ser uma das mais divertidas além de precursoras do terror “terrir”. Nesse oooutro século da história do cinema, a veia cômica do diretor continua intacta, com aquele mesmo estilo irritante de terror que não faz ninguém nem pular nem rir na poltrona e sim perguntar num tom incrédulo: “O que é isso?”, ou “WTF???”. No fim, dá no mesmo. Como eu disse, ele equilibra o medo e o riso.

Aliás, sem dúvida a maioria das pessoas que virem o filme vão sair muito bravos porque tinham a expectativa de terminar a sessão sendo confundidos com as poltronas de tanto se afundarem nelas. Se essa for a sua única intenção, esqueça. Maaas, se você for alguém com um pouco menos de preconceito cinematográfico e que assuma que qualquer programa de índio te divirta, vá fundo. Arrasta-me Para o Inferno é um programão de índio intenso. Vai lhe render bons sustos e, de quebra, belas caras de bobo. Só para fazer um comentário sobre ver o filme no cinema ou alugar depois nas locadoras, vejam no cinema. O som ajuda (e muito) a dar aquele clima de terror e, para quem não gosta de terrir, vai realçar o susto e valer o preço do ingresso. Se vocês não entenderam a mensagem ainda, VÃO ASSISTIR! Esse post quer dizer pura e exclusivamente isso, sendo você um neurótico viciado em O Exorcista, Seven, A Noite dos Mortos Vivos ou Todo Mundo Um Pânico, vá.

Sam Raimi, que no fundo odeia filmes de terror, abusou das maldições, crenças e bizarrices nesse filme. E quando falo em bizarrices falo daquelas bravas mesmo. O diretor não poupou gosmas, insetos asquerosos e vômitos desnecessários –que aliás, todos tinham um imã fortíssimo para pararem na boca da protagonista Alison Lohman, a garota que uma única vez decidiu ser gananciosa e escolheu a vítima errada para isso.
Além do longa ter as características exigidas para dar um bom susto, todas as cenas são muito bem produzidas e, mesmo o final sendo um tanto previsível, foi um bom final feliz/infeliz/feliz... Depende do ponto de vista. Eu penso que foi feliz, visto pelo lado de que eu poderia respirar novamente depois. Não é lá um daqueles terrores que te dão muito tempo para acalmar os ânimos, sabe? Daqueles que você vê o dia amanhecer, se ajeita na poltrona e pensa “Uff, ainda bem que agora as coisas só voltam a acontecer de noite”. Não, o demônio não faz distinção dos horários mais assustadores.

O filme teve uma sessão especial em Cannes esse ano com todo o glamour envolvido e ainda conta com o ator Justin Long, que não sei porquê eu adoro, acho que me lembra alguém.

Bom, essa é minha dica, me desculpando pela ausência de posts e não tendo desculpas suficientes para que seja desculpada. Espero, sinceramente, que a moda Terrir retorne, eu adoro.


Ahhhh. A Revista Set desse mês trouxe um especial 100 filmes mais assustadores de todos os tempos. Já fiz minha listinha dos que ainda não vi para passar na locadora essa semana. A Volta dos Mortos-Vivos (George Romero) de 1968, O Iluminado (Stanley Kubrick) de 1980 e Psicose (Alfred Hitchcock) de 1922 apavoram sobre o pódio em primeiro, segundo e terceiro lugar respectivamente, apontando, para mim, aquela velha frase “Não se faz mais filmes (de terror) como antigamente”. Há!

Dêem vocês também suas opiniões, na minha, Poltergeist deveria estar no topo, ou bem próximo dele e bem longe de mim. Um bom e assustador agosto a todos.

domingo, 24 de maio de 2009

Um giro pelas telonas.

Bom, aí vão umas dicas, ou umas críticas de alguns filmes que andei assistindo essas semanas e que ainda podem ser “arrebatados” por ai. Bom, como sou contrária a preconceitos cinematográficos antecipo aqui que REALMENTE assisto qualquer tipo de produção, até o filme do Corinthians (e quem me conhece sabe o quanto isso é adverso), “Fiel”, é só tocar a campainha aqui em baixo ou dar uma ligada.

Eu sempre dou uma lida na Set aqui em casa antes de escrever algo porque sempre tem uma curiosidade bacana, hoje não terá. As minhas últimas edições se extraviaram pelo meu quarto e devem aparecer nos próximos dias. Paciência...

Tava dando uma olhada no www.adorocinema.com.br e constatei que eu assisti os três primeiros filmes do ranking Top 10 de 15 a 17/5, então acho que os comentários podem servir para algumas escolhas.

Na primeira posição: Anjos e Demônios

O escritor Dan Brown derrubou o mutante das garras de aço em uma semana. Maior bilheteria do País, Anjos e Demônios segue a mesma linha do Código Da Vinci, mas, na minha opinião, a sequência se saiu melhor que o primogênito (lembrando que, na ordem cronológica literária, Código da Vinci é sequência de Anjos e Demônios, não o contrário).

Li o livro há mais de cinco anos e confesso que não lembrava de todos os detalhes, na verdade não lembrava de quase nada, nem da bomba que destruiria o Vaticano. O que tinha na memória tinha porque li o Best Seller na época em que o Papa João Paulo II faleceu e acompanhei o conclave real nas telinhas e o conclave ficcional de Dan Brown. Imagina uma leitora empolgada tendo algo para alimentar a criatividade, eu estava insuportável.

Para quem nunca leu o livro a história pode dar aquela canseira cerebral que acontece quando se tem milhares de informações ao mesmo tempo, para quem leu, isso também pode acontecer. Infelizmente Ron Howard não poderia mesmo mostrar todos os detalhes de forma lenta, ou o longa, que não é nenhum filminho de 1:30h, duraria 5h.

Nunca fui a favor de Tom Hanks no papel de Robert Langdon, quando li o livro imaginava um galã, não o Forrest Gump –a imagem do Forrest sempre vai ser Tom Hanks para mim-. Acredito que esse tipo de filme, assim como Senhor dos Anéis, Harry Potter, Diário de Bridget Jones precisam ter como protagonistas atores desconhecidos, porque ser protagonista de um “Mais Vendido” vira uma marca para toda a vida e não se é marcado se já se tem uma marca, vira bagunça.

Mas o filme é uma boa pedida, ficou muito melhor que o primeiro -que sinceramente me decepcionou- e vale ser visto pela fotografia do Vaticano, necrópole, Anjos, Demônios, passagens secretas, ligações históricas, ufa. Quase não dá para respirar. E claro, adoro Audrey Tatou (que fez a ‘mocinha’ do primeiro longa, Sophie Neveu) e sua Amèlie Poulain, mas Ayelet Zurer como Vittoria Vetra ficou muito mais semelhante com o que eu imaginava lendo o livro.


Seguindo o fluxo: Wolverine.

Quem acompanhou a história nos quadrinhos da Marvel odiou, quem nunca leu nenhuma delas, gostou, quem gosta de uma aventura e de ver os mutantes no SBT enquanto almoça, vai adorar. Eu gostei da produção, mas achei a história um tanto água com açúcar. Não vou escrever tanto porque conheço até que superficialmente bem a história, comparando-me a leigos, mas se algum fissurado em X-men resolver ler isso eu vou apanhar. Então prefiro não me atrever. Entendo um pouco mais de Homem-Aranha e Homem de Ferro, mas como vem mais produção por aí e pretendemos chegar aos Vingadores, vou me informar melhor.

O que percebi é que a Marvel tentou linkar algumas histórias e se perdeu em outras. Teve uma necessidade de fazer aparecer milhares de mutantes que, se tirados da história, não fariam diferença alguma. Apenas diminuiriam o glamour da trama e o frissón de apaixonados pelo Gambitt, por exemplo, como eu.

Diria então que a Marvel se perdeu um pouco na proposta e inventou histórias desnecessárias, mas entendo a dificuldade de tratar com fãs, deve ser complicado agradar a todos tendo limites na produção, nem todo mundo entende.


Terceiro colocado: Divã.

É diversão garantida. Estava saindo do cinema e encontrei um casal de amigos que comentou: “Nossa, então era a sua risada que a gente estava ouvindo.” E eu juro que minha risada é tímida, só de vez em quando ela resolve dar o ar da graça. Mas o pior foi depois, que a guria falou “É o típico filme coroa solteirona” e eu me senti, por um momento, constrangida e “coroamente solteirona”, mas o momento passou.

Preciso ressaltar que Lília Cabral é uma atriz e tanto e conseguiu me prender em todos os momentos do filme. Zé Mayer no papel do marido típico também caiu como uma luva, pelo menos para mim, que não li o livro. Queria ter lido.

Acredito que as mulheres vão não só entender e se identificar, mas curtir muito mais o filme que os homens. Mas eu declaro que havia um homem nos acompanhando ao cinema e ele se divertiu horrores, acho que é a minha sugestão principal entre as quatro produções que estou citando.


Quarto colocado, ou sétimo no ranking: Monstros vs Aliens


Colocação? Sessão da tarde. É legalzinho, mas não tem nada de diferente que faça dele uma grande animação. Os personagens são fofos, engraçadinhos e salvam o mundo, mas acaba por aí. Isso é horrível, mas se alguém tiver outra opinião, me diga, porque meu vício Disneyês sempre me deixa confusa e me faz achar todo o resto, resto.

Mas levem a criançada, elas vão gostar. Talvez apenas seja uma produção infantil, não infantil/juvenil/adulto como estão sendo todas.



Bom, estão aí algumas dicas. Claro que o lado pessoal sempre ajuda e minha paixão por filmes nacionais auxilia na “puxação de sardinha” para o lado de Divã, mas o filme realmente é bom e vamos lá, minha gente, é tão melhor ver coisas que estão mais próximas de nós. Por mais distante que estejam não é todo dia que o Hugh Jackman vem ao Brasil fazer o lançamento de um filme, já a Lília Cabral, dá para encontrar na rua, quem sabe.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

As letras de Saramago pelos olhos de Meirelles

A minha vida literária/cinematográfica começou com Harry Potter, acho eu, estou meio desmemoriada hoje. Mas sabe lá Deus quantos anos eu tinha. A partir da leitura do primeiro livro do bruxo londrino, comecei a descobrir a magia das produções adaptadas para as telonas e não parei mais. Senhor dos Anéis, O Exorcista, Entrevista com Vampiro, O Conde de Monte Cristo, Anjos e Demônios e cia, HQ’s. Eu e meu país das maravilhas, não excluindo dessa lista a história da própria Alice e dos contos infantis que, bom, para quem costuma fazer contação de história, são indispensáveis.

No entanto, com a abertura dessa brecha entre a história escrita e a ‘assistível’, criei também uma mania horrível, a de achar que sou melhor que o roteirista. “Ah, não acredito que reduziram AQUELA cena a isso”; “Poxa, cortaram o Tom Bombadil e a guerra do Condado? De onde veio esse amor todo do Aragorn pela Arwen? Quem foi o filho da mãe que acabou com o filme?”; “Como não vai ter o Carnificina no Homem-aranha???”; “Mas quem teve a idéia de deixar o Duas Caras morrer? Tinha que ter um filme só dele!”

Posso ficar aqui até amanhã...

Continuando, hoje uma coisa me surpreendeu. Não assisti Ensaio Sobre a Cegueira quando estava sendo exibido nas telonas porque, não adianta, sendo ele Saramago e sendo o outro Meirelles, eu me obriguei a ler o livro antes. Demorei, confesso. Uma pena. Aqui, em público, digo, e será apenas uma vez na vida: Avaliando o conjunto, eu não mudaria nada.

Calmaaaaaaaaa! É claro que vou reclamar se não, não seria eu.

Como assim a vizinha da mulher de óculos escuros não apareceu? Eu sentia rebuliços no estômago toda vez que algum momento dela era descrito e esperava, sinceramente, vê-la. A cena das mulheres da Ala I se entregando aos homens da Ala III me deixou muito mais sensibilizada no livro, mas acredito que isso é coisa de mulher. É muito mais doído ler a íntegra a imaginar uma cena com silhuetas e luzes baixas. Mas o momento em que elas lavam a mulher que faleceu durante o ato é memorável e digno de congratulações. A luz ficou perfeita, a trilha perfeita, as expressões perfeitas.

Achei o cego do Mark Ruffalo um tanto suspeito, ele parecia ver demais. Não sei se era essa a intenção, mas eu não gostei em alguns momentos. Aí tudo depende da imagem que você tinha do livro também, eu imaginava o médico e sua mulher uns dez anos mais velhos que os atores, ou talvez o peso dos personagens deles pedia essa velhice, mas ficou bacana.

É preciso escancarar a ótima interpretação de Gael García Bernal, que eu adoro, mesmo quando não gosto dos filmes e que, em Ensaio Sobre a Cegueira conseguiu me convencer de todas as maneiras possíveis. Seria desnecessária a simples afirmação de ele estar cego, isso se via. Alice Braga... Bem, ficou a lata da personagem, mas acho que fizeram um furdúncio tão grande em cima da atuação dela que acabou me fazendo esperar demais.

Ah, não posso deixar de falar da cena na igreja. No livro, o momento em que a mulher do médico diz que os santos e as pinturas têm os olhos vendados de branco eu cheguei a arrepiar, mas poxa, eles não deram muita moral pro momento no filme. Essa cena era marcante, não deveria ter sido assim. A chuva também, no livro ela espanta as pessoas, no filme, convida.

Achei sem graça também a mistura de “raças” do filme, achei que, no mínimo, todos deveriam falar português (Talvez, por Saramago, o de Portugal), mas aí a misturar olhos puxados, “Hola” e “What”’s, não tinha necessidade. Mas como a exigência do autor era de que o país em que a história se passasse não fosse possível de revelar, quem sou eu para discutir? Antes de assistir eu tinha até um pouco de preconceito, admito, pelo fato de terem atores hollywoodianos e tal, já achei que a obra –que valeu, sim, um Nobel- ia virar Pop. Mas me enganei, o filme tem um estrutura própria, uma arte própria e uma facilidade de incomodar os olhos de quem assiste que é incontestável.

Bom, agora vem alguém e me pergunta “Mas você não disse que não mudaria nada?” Sim, eu disse, e complementei com a expressão: avaliando o conjunto. Fernando Meirelles está de parabéns, ele foi bem fiel ao livro. Mesmo tendo que cortar alguns momentos, o que é compreensível quando se quer produzir um filme que não seja um E o Vento Levou, o diretor conseguiu colocar as cenas mais importantes da trama, e o melhor, conseguiu interligá-las, o que é o maior problema das adaptações, em minha opinião. Alguém sempre fica sem entender.

Para finalizar, não vou dizer que todo mundo vai entender a trama, muita gente não gostou do filme e eu compreendo, mas aviso que não é erro de continuidade, tipo Código Da Vinci. Acredito que algumas pessoas podem não ter gostado do livro também, mas não é por ser ruim (longe de mim, o livro é um soco na mente, como disse uma vez um crítico), mas porque estamos acostumados a histórias lineares, auto-explicativas e com um final que dê sentido óbvio a todo o resto, o que não acontece nem no filme, nem no livro. É aquele tipo de arte para se pensar, re-pensar, re-pensar, re-pensar e começar a enxergar. É coisa de Saramago.


“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Duas palavras: Clint Eastwood


Tenho em mãos a vontade, na cabeça a idéia e, no momento, nenhum conhecimento. Escrevo aqui um texto completamente emocional.

Estive dias atrás em São Paulo, batendo um papo no melhor estilo ‘cinematógrafo’ com o diretor de fotografia Uli Burtin e saí desse encontro com um filme na cabeça. Filme esse citado por ele em vários momentos e com uma classificação de atual memorável. Começo então meu destrinchar emotivo Gran Torino. Aliás, preciso tentar escrever numa velocidade maior que meus pensamentos.

Antes de ver o filme li uns artigos sobre ele e, em um, uma frase me chamou a atenção. O autor dizia que não havia visão mais assombrosa do que ter que encarar Clint Eastwood pelo retrovisor. Concordo. Gran Torino já é nome de clássico, não é? Bom, o filme é drama da primeira cena ao claquete final, ou seja, não é a combinação: amigos, pipoca. É um filme solitário, que precisa acontecer sozinho, e ser visto sozinho. Provavelmente, ao sair do cinema não vão rolar comentários, risadas ou coisas do gênero, talvez umas expressões corriqueiras daquelas de quando não se tem nada a dizer.

A construção do filme é simples e sem ares de grande produção Hollywoodiana, o que acaba por puxar ‘involuntariamente’ toda atenção para Eastwood. Aliás, As cenas de luz baixa são ótimas, elas sempre chamam a minha atenção.

Em Menina de Ouro o diretor e ator considerado 2º no ranking dos 100 melhores astros do cinema já mostrou o seu jeito paterno na relação aprendiz/professor, o que se repete em Gran Torino. Uma pena a interpretação do garoto Thao (Bee Vang) ter deixado a desejar, mas em frente ao que seria um monstro sagrado, chega a ser compreensível. O filme fala sobre preconceito, valores, família, religião e Eastwood, que completa 50 anos de carreira, consegue reunir tudo o que já mostrou que sabe fazer em outras produções em uma trama cheia de humor sádico, claro.

Um detalhe que me incomodou o filme todo foi a falta de trilha sonora, eu até me peguei em alguns momentos imaginando que para finalizar tal cena, a entrada de uma música em determinado momento faria toda a diferença. Mas não podia, ele, ter se esquecido desse detalhe. A ausência de notas musicais intermediando a trama acaba por dar uma sensação mais dramática a história e porque não -e como não dizer- que também dá a ela um toque maior de realidade.

Voltando a Uli Burtin, ainda me veio ele na memória em outro momento da história, na violência. Durante a conversa discutimos a necessidade ou não de se explicitar agressões e, como não poderia faltar, lembramos o quanto Laranja Mecânica foi violento sem tampouco fazer esses momentos serem vistos. A cena mais forte de Gran Torino talvez seja a que menos ‘exponha’ em todo ele. E aí voltamos aos sons, os quais eu simplesmente não os percebi nessa cena. A ausência de falas acessíveis a língua nos faz pensar em toda a cena que não vimos e faz de um momento, o momento, não o do filme, mas das imagens que nós mesmos reproduzimos daquilo. Confuso, não é? Assista a cena do desaparecimento da menina e depois pare para pensar se em algum momento você ouviu que eles estavam falando. Eu não ouvi.

Preciso abrir uma ressalva para a expressão de Eastwood, lá pelo meio do filme é possível você se perceber com aquela mesma massa torcida de cansaço na face que ele exibe o filme todo, é quase contagiante. Claro que a produção tem defeitos, como qualquer outra, mas como eu disse que o meu texto seria completamente emotivo e escrito sob uma visão só (de quem viu o filme a meia hora), ainda não encontrei um bom defeito. Encontrei sim, a interpretação do hmong Thao. Mas pela vontade de fazer cinema de Eastwood eu digo, Gran Torino tem lugar certo, a partir de hoje, na minha prateleira. E não digam que o diretor não é tudo que eu escrevi nessas linhas, porque ele até o meu Word reconhece.

domingo, 8 de março de 2009

Alex Supertramp: Aquele que tinha tudo, mas não tinha nada.


Cinco palavras, um questionamento e dependendo da resposta a expressão é distorcida e uma veia salta na testa. “Você já viu esse filme?” Ô perguntinha chata para qualquer cinéfilo. Chata não por poder iniciar uma conversa sobre o assunto preferido dele, mas pelas três letras que podem formar duas palavras contrárias e que fazem dessa uma questão de peso equivalente a um “ser ou não ser” (cinéfilo, no caso). São elas “sim” e “não”.

Para alguém que se sente “enturmado” em meio a sétima arte, ser questionado de algo que não viu é terrível, como se fosse possível que esse ser humano normal pudesse assistir todas as produções. E quando eu digo todas, são todas. E entre todas (todas) muitas vezes nós perdemos a oportunidade de vidrar os olhos em algumas produções dignas de não serem perdidas. Felizmente ainda existem locadoras e infelizmente alguém tem que trabalhar para poder sustentá-la ao invés de assistir filmes o dia todo.

Dias atrás eu tive a façanha de ser questionada sobre o mesmo filme por nada mais nada menos que três pessoas em 24hs e, olha que sensação maravilhosa, eu não o tinha visto. No entanto a janela do meu quarto é muito baixa, isso significa que eu apenas quebraria uma perna com o tombo. Então, lutei contra a minha autocrítica que repetia “Três pessoas!” e fui a locadora alugar “Na Natureza Selvagem”.


Dica instantânea: Pare de ler, assista ao filme e volte aqui para comentar, adoro opiniões diversificadas. Bom, a produção é baseada em uma história real e dirigida por um atorzinho aí ganhador de Oscar[s] (com toda a ironia), Sean Penn. Aliás, ele gostou da coisa e está querendo mesmo largar a atuação para se dedicar a direção de longas. É uma perda para um lado e um ganho para o outro.

Bom, eu gosto de Emile Hirsch desde Alpha Dog, mas tive uma decepção de leve em Speed Racer. De qualquer maneira ele ficou ótimo no papel de Christopher McCandless, o andarilho Alex. Vamos abrir um apêndice e dizer que a trilha sonora é Eddie Vedder puro, que lançou o seu primeiro cd solo com o filme que emplacou, enquanto que o cd... Bom. Não sei o porquê, eu emplacaria.

Sean Penn demorou dez anos para conseguir a autorização da família McCandless para transformar o livro em filme e fez um trabalho extraordinário. A fotografia é ótima também. O longa tem quase três horas de duração, mas não é cansativo e, o melhor, não é clichê. Apesar de ter me lembrado um pouco Brad Pitt e sua viagem ao Tibet.

Vale lembrar que não houve dublês em nenhum momento, ou seja, Hirsch é quase um Jackie Chan (que comparação, eu nem gosto dele). O interessante é a montagem que Sean Penn faz da história, ele mistura tempos e acontecimentos para que, no fim, tudo faça sentido e esteja interligado. Fiquei interessada também em ler o livro que originou o filme, que aliás, foi escrito por um cara que queria o mesmo que Christopher, liberdade e o mundo. Quando soube da história, o escritor resolveu passar por todos os lugares onde ele teria ido e acabou reencontrando pessoas que o conheceram e contaram sobre o tempo que tinham passado com o andarilho. E aí veio a idéia do livro baseado nos relatos dessas pessoas que participaram, de certo modo, da trajetória de Chris McCandless, além das anotações do diário dele. Resumindo, é uma história de libertação, amor, autoconhecimento e felicidade.

Quem ainda não assistiu, fica aí a dica. Aliás, se tiver TV a cabo facilita, porque o filme está sendo reprisado há vários dias em algum dos 1872819729 Telecines. Só para finalizar, um amigo meu me questionou, não se eu havia visto o filme, mas sobre as conclusões que eu tinha tirado ao vê-lo. Respondi: “Conhece Tom Jobim? Sabe quando ele escreveu –em Wave- aquela frase: É impossível ser feliz sozinho? Foi mais ou menos isso.”

E para não perder o costume, eu pergunto: Já assistiu o Na Natureza Selvagem?



“A felicidade só é real quando é compartilhada” Chris McCandless

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Cinema-diversidade rumo conhecimento


Tudo bem. Me condenem, exorcizem, o que for. O carnaval também me pegou de jeito e eu acabei fugindo com algumas responsabilidades. Mas, passadas as badalações carnavalescas, estou de volta.

O dia 27 de fevereiro, hoje, se tornou um marco em minha vida. Estava juntando os cacos pós marchinhas de São Luiz do Paraitinga e pensando o quanto qualquer tipo de arte é particular e única, mas que nenhuma é tão atuante quanto o cinema. A verdade é que toda percepção depende do tamanho do interesse e o interesse está completamente ligado ao estado de espírito.

Vou colocar de um modo mais palpável, então. 2001 Uma Odisséia no Espaço é um marco da ficção científica 40 anos após seu lançamento. Algumas pessoas vão querer me matar por isso, mas eu não gostei. Juro que tentei e achei a trilha perfeita e algumas cenas ótimas como às de gravidade zero e a sequência maravilhosa de quando os tripulantes tentam manter uma conversa confidencial e Hall, o computador, lê seus lábios. A forma com que o diretor edita essa cena deixando-a clara, mas sem insistência, é linda. Mas isso não tira de mim a idéia de que Stanley Kubrick fez um filme para ele e isso o transforma, para mim, em gênio. O filme fez sucesso mesmo sendo uma sucessão de imagens que saíram da cabeça de um maluco (no bom sentido da palavra). Confesso que me senti aliviada ao ler que a premiére do filme em 1968 no Pantage Theater, Los Angeles, balançou os espectadores a decidir entre um sucesso e um fiasco. Decidindo pelo sucesso, por fim.

Mas que cargas d’água tem a ver tudo isso? Sou fã do Stanley Kubrick de carteirinha, de O Iluminado a Laranja Mecânica, só para ratificar. Mas a idéia é mostrar o quanto gostar de cinema é algo particular e o quanto escrever cinema é algo individualista. Individualista, sim, ao ponto de se dizer impossível ao imparcial. Mas, é importante ressaltar que imparcial não quer dizer egoísta, ou seja, para reclamar cinema é preciso conhecer cinema sem fazer cara feia.

Assisti -esses dias- há alguns filmes que podem gerar caras feias e que merecem ser lembrados. Once – Apenas Uma Vez é um drama irlandês que ganhou o prêmio da academia de Melhor Canção Original em 2006 (enquanto eu ainda babava em Guillermo Del Toro e seu labirinto dos sonhos) e ninguém comenta o filme só porque está fora da cornucópia Hollywoodiana. Eu assisti e protesto. Ele incomoda a quem assiste porque estamos ‘adestrados’ ao método dos grandes e ao pastiche das montagens norte-americanas. Mas é um filme sutil e está entre os meus indicados agora, principalmente para quem gosta de música porque a produção é em notas, o clima é pura música. Há uma leveza e argúcia que prende a atenção e a delicadeza do final é memorável.

Assisti também a um filmasso de 1962 (eu e meus filmes monocromáticos), de Luis Buñuel, O Anjo Exterminador. Hoje a produção seria pouco aceita porque nós, infelizmente, procuramos uma explicação para tudo. Mas a montagem cômica -sendo ela extremamente macabra- da situação é fantástica. Quem puder assistir, alugue. Mostra a história de um jantar do qual os convidados simplesmente não conseguem ir embora. Há, na verdade, uma pesarosa aceitação da situação e, inconsciente ou não, eles se ajeitam até o momento em que percebem que, de algum modo, estão presos àquele lugar. As horas se estendem por dias em uma amarga sátira sobre uma linha invisível que impede essa saída.

Mas eu estava comentando o dia de hoje e o porquê de ter me marcado. Adolph Lukor disse que o cinema falado nunca daria certo por ser barulhento demais e impedir que as pessoas durmam durante a projeção, deu no que deu. Auguste Lumière jurou que o cinema não tinha futuro comercial e, por fim, Renato May comentou ser o cinema uma arte de colaboração e, o filme, obra de um só. Hoje assisti, pela primeira vez, um filme em 3D (Nem no parque da Mônica eu fui). Com aqueles óculos (que infelizmente tive que devolver) e borboletas voando em nossa direção. Coraline e o Mundo Secreto é a primeira animação em stop-motion feita originalmente em 3D e lembra, em muita coisa, o Estranho Mundo de Jack. Não só lembra como tem semelhanças provadas.

Há pouco tempo saímos da era DVD e entramos no Blue-ray e já estamos migrando do 3D para o 4D e o IMax (A primeira sala foi inaugurada em janeiro no Shopping Bourbon, em São Paulo). O segredo da qualidade da imagem IMax está no tamanho do filme, na utilização de várias câmeras e equipamentos especiais. Vualá! É só por um óculos 3D que uma ampliação do tamanho natural pode saltar da tela. O preço é que desanima, se ir ao cinema já sai caro e a instalação de uma sala IMax custa seis vezes uma sala comum, o ingresso vale a bagatela de R$30. Ainda verei se vale a pena.

De qualquer maneira, tentando não me prolongar mais, se os irmãos Lumière não acreditavam na Sétima Arte ela, hoje, movimenta um comércio próprio feito de muito investimento, opiniões diversas, invenções criativas e tecnologias quase sem barreiras criadas de um para todos, mas não necessariamente aceita por todos. E se o cinema não é unânime tão quanto é particular, eu só posso continuar sentada na mesma poltrona de couro vermelho queimado e encosto de madeira do século passado e decidir por mim assistindo tudo o quanto possível, sem perder nunca essa oportunidade de respeitar e ver o mundo pelos olhos de alguém que veja além dos meus. Que a carapuça sirva. Boa noite e boa sorte.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

[ainda]NAS TELONAS: Jason preto no branco.


Voltei. Após uma sexta-feira 13 turbulenta em Taubaté com perseguições policiais e chuvas torrenciais com direito a desmoronamentos a torto e a direita, ir ao cinema assistir Sexta-feira 13 foi, no mínimo, engraçado. Vou aproveitar a data e o título e enumerar os comentários sobre o longa.

1. Censura 18 anos é compreensível quando o filme possui cenas de nu (nem um pouco artístico e necessário) em quase todos os takes. Agora eu entendi porque duas atrizes desistiram dos papéis e não tenho dúvidas de que foi porque eles realmente exigiam muito ‘potencial artístico’ delas.

2. É o Massacre da Serra Elétrica, em tudo. Troquem o cara de máscara e facão por um outro maluco com uma serra. Algumas mortes até acontecem da mesma maneira, como a da menina pendurada na parede.

3. Jared Padalecki. Ele pode ser um motivo para ver o filme. Voto nele para o próximo Jason porque o rapaz tem a mesma dificuldade em morrer.

4. “Jason, dê oi para sua mãe... No inferno!” Foi a única frase marcante do filme.

5. Suspense mesmo não há, só alguns segundos de expectativa pelas mortes enquanto toca aquela trilha de duas notas (não as de Psicose).

6.Voltando a pornochanchada (mais pelo cunho comercial porque, de brasileiro, no máximo, o longa lembra aquele filme, Turistas) preciso ressaltar que são cenas de “rebola-bola” sem alguma necessidade, que, aliás, me lembraram um filme trash que assisti uma vez, Rota da Morte (O filme do rabecão, quem já viu vai saber).

7. Para quem é fã da ‘saga’, e acredito que eu possa chamar assim ao invés de série, o filme é interessante porque mostra cenários das outras produções.

8. Para quem não é fã o filme pode ser:

a) trash

b) do balacobaco!

c) sou menor de idade, consegui entrar e ver coisas que minha mãe não deixaria em casa.

d) parece que eu já vi esse filme

e) mas já morreu todo mundo?

f) eu gostei, e daí?

g) aquele de máscara não é um jogador de Hockey famoso?

h) blerght, que nojo.

i) nenhuma das alternativas anteriores

(Felizmente isso não é concurso público e cinema permite milhões de possibilidades. Pode adicionar letras, se quiser)

9)Sendo ele bom ou ruim é um filme do Jason, o cara é clássico por si só e é legal de ver para não falar as coisas sem saber, tipo “Aham, e eu sou o Jason.”

10) Ah, claro. Jason tem sinônimo nos dicionários, sabia? É Highlander.

11) Os personagens são secundários e parecem que só estão lá porque alguém tem que morrer. Falando em morte, a pior é a da menina (nua, óbvio) no lago. A da fogueira e a do japinha são as mais... brrr.

12) Tecnicamente dizendo, o filme não tem nada demais. Mas para quem gosta do gênero dos Serial Killers ele não vai ser reprovado.

13) Para finalizar, treze. Acho que esse era o número de pessoas que estavam na sala de cinema. Mas mesmo assim, na estréia, o longa angariou $ 19 milhões e está entre os filmes mais rentáveis do gênero na história da Sétima Arte.

PS.: Desculpem o atraso, mas tive uns dias meio sexta-feira 13.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

(quase) NAS TELONAS: “Seu nome era Jason, e hoje é seu aniversário.”


Se me perguntassem que dia é hoje eu responderia: “É o dia do retorno do mito.” Não, nunca fui muito fã dos ...hãn... 11 filmes da série Sexta-feira 13, mas sempre usei aquela piadinha “Aham, e eu sou o Bozo!” de maneira diferente. Eu dizia: “Aham, e eu sou o Jason!”

Hoje estréia Sexta-feira 13 nos cinemas do Brasil e, nossa que coincidência, que dia é hoje?

Bom, vou ao cinema na estréia mesmo pra não perder a oportunidade de aproveitar o Halloween fora de época, mas resolvi fazer uma prévia. Depois conto se senti medo mesmo.

A história -baseada no primeiro filme de 1980- não vai fugir muito do pastiche dos jovens que resolvem se enfurnar em um local abandonado e que começam a andar sozinhos e ser assassinados um a um por um maníaco mascarado, algo normal nos dias atuais, claro. Pelo menos dessa vez não tem o Freddy Krueger, ele costumava me deixar com medo de dormir quando eu era criança, mas depois de ver o filme que reuniu os dois malucos (Krueger e Jason) eu comecei a achar graça.

Tem uma carinha antiga do suspense no longa, o ator Jared Padalecki, o Sam do Supernatural, além de Derek Mears interpretando o 7º Jason da história. Ele sem máscara é um pouco mais assustador que usando-a.

Sempre achei que alguns suspenses tinham um roteiro meio parecido: O Massacre da Serra Elétrica, a Casa de Cera, Eu sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (e suas inúmeras sequências/remendos diferenciadas por “ainda”, “também”, “novamente” ou seja lá o que for), Pânico, O Albergue e etc. Mas Sexta-feira 13 realmente tem algo em comum com o Massacre da Serra Elétrica, o diretor Marcus Nispel. Acho bem possível encontrar semelhanças. Pelos menos, se fosse o Tarantino nós teríamos a certeza de ver muito sangue. Falando nele, vem sangue por aí, logo logo.

Antes de terminar, tem um fato interessante, Sexta-feira 13 -o 12º filme da série- teve a produção dada como encerrada no dia 13 de junho do ano passado. E nem precisa olhar num calendário, eu adianto que foi exatamente numa sexta-feira, como a de hoje. Então, se você for uma pessoa supersticiosa lembre-se, nada é por acaso. Ainda bem que eu não sou.




Aliás, se o blogspot.com não fizer as devidas atualizações, agora são 1:58hr do dia 13. E a noite o SBT vai exibir Carrie, A Estranha. Programaaaço.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

NAS TELONAS: Sim, sinhô.



“A vida passa muito depressa, se não paramos para curti-la, ela escapa por nossas mãos”, dizia Ferris Bueller em Curtindo a Vida Adoidado; "Sinta a dor. Abrace-a. Descarte-a", disse Claire em Tudo Acontece em Elizabethtown; “Sim”, repetidamente disse Jim Carrey em Sim, senhor. Cantando na Chuva, Curtindo a Vida Adoidado, O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, Tudo Acontece em Elisabethtown, Bridget Jones... Teriam algo em comum? Na verdade não, mas sim. Todos são filmes que, por fim, dão vontade de ser feliz. E foi essa sensação que eu tive ao sair do cinema ontem depois de assistir Sim, senhor.

O filme tem todo o estilo caricato do Jim Carrey que, particularmente, nunca foi o MEU forte. Para mim é o Máskara em todas as suas possíveis versões: O homem que recebe o poder de Deus, o cara que tem dupla personalidade, o que não pode mentir e até aquele detetive de animais que ficou estupidamente parecido com o Ace Ventura do desenho. São todos iguais, sem rejeitar o Charada. Mas Carrey causa um reboliço interno em mim porque não consigo decidir se gosto ou não do que ele faz. Em sua larga metamorfose artística eu também encontro Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Show de Truman e Cine Majestic. Ou seja, não sei dizer se ele é um camaleão ou se é um faz-tudo que não faz nada.

Chega de alardear? “Sim, senhor”. O filme é cativante porque permite que cada espectador conte-se a si próprio, veja-se viver, julgue-se. É um filme de auto-ajuda. Mas continua sendo Jim Carrey, o que quer dizer que para quem não é fã de caretas, dentes brancos e movimentos bruscos, a melhor pedida é correr para a sala de projeção ao lado. Mas acredito que ele se conteve em relação a outras interpretações e, olha, ele pula de bungee jump! Nada de dublês. Aliás, foi uma pena o Harry Potter VI ter mudado a data de estréia, porque a festa a fantasia ia “bombar”.

O filme tem uma mensagem positiva, de ajudar ao próximo, de prestar mais atenção a sua volta. É como se te desse um tapinha no traseiro e dissesse: “Ei, amigo, vá viver! Para de aceitar tudo o que te acontece e corre para ser feliz!”, com a ressalva de ter pouquíssimo humor baixo, o que eu normalmente dispenso nos primeiros dez minutos de filme.

Sim, senhor não é o tipo de produção que ganha prêmios, mas é uma ótima pedida para um sábado à tarde ou para um daqueles momentos eu+poltrona+pipoca ou, simplesmente, porque você adora o Jim Carrey. O longa foi bem aceito nos Estados Unidos, principalmente porque em época de crise as pessoas precisam de algo que as animem a continuar e, sem querer querendo, Sim, senhor encaixou certinho nesse estereótipo de esperança e novas experiências.

O filme foi baseado no livro de um jornalista que durante seis meses respondeu sim a tudo que lhe era questionado e anotou os resultados, esse é o personagem, essa é a trama. E quem gosta de sétima arte ainda vai adorar os filmes que aparecem nas cenas de locadora, ou vai se sentir um completo “não, senhor” por também ficar em frente ao DVD ao invés de sair e curtir a vida (não me excluo dessa). No fim, a melhor solução é sempre a mais simples, aprenda a dizer sim e vá assistir a uma velha e boa comédia sessão da tarde.

*Lembrando que vem aí I Love You Phillip Morris com um Jim Carrey gay apaixonado por um Ewan McGregor e de mãos dadas com Rodrigo Santoro. Estréia prevista para o final de março. Liberar de vez as caras e bocas do Jim Carrey pode ser um perigo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Um Flambé do Frambô.



Vem vindo postagem grande por aí, mas antes meu Rosebud [que mais parece um carrinho de rolimã] resolveu dar um rolê pelas bandas do "Frambô" 2009, o prêmio que elege os piores da Sétima Arte. Bom, o que, na minha opinião, não é tão mal porque são premiados os piores e-n-t-r-e os melhores.
Só para ter alguma informação a mais, o Framboesa de Ouro existe desde 1980 e foi criado como uma sátira ao Oscar e a todo o glamour envolvido. O deboche continua, sendo os indicados ao Frambô divulgados um dia antes dos da Academy Awards e a entrega feita também na véspera da grande premiação. E tem um troféu, óbvio, que é uma framboesa de plástico sobre um filme Super 8 (aqueeele da Kodak, de 8mm lançado em 1965) na cor dourado e não chega a custar $5, enquanto o Oscar custa $200 (O preço real, não o valor quase inestimável de um prêmio desse escalão).


And the Frambô goes to...?

Pior filme
"Super-Heróis - A Liga da Injustiça" e "Espartalhões"
"Fim dos Tempos"
"A Gostosa e a Gosmenta""
"Em Nome do Rei"
"O Guru do Amor"



Pior ator
Larry the Cable Guy, por "Witless protection"
Eddie Murphy, por "O Grande Dave"
Mike Myers, por "O Guru do Amor"
Al Pacino, por "88 minutos"
Mark Wahlberg, por "Max Payne"



Pior atriz
Jessica Alba, por "O olho do mal"
Annette Bening, Eva Mendes, Debra Messing, Jada Pinkett-Smith e Meg Ryan, por "Mulheres O Sexo Forte"
Cameron Diaz, por "Jogo de Amor em Las Vegas"
Paris Hilton, por "A Gostosa e a Gosmenta"
Kate Hudson, por "Um Amor de Tesouro"



Pior prólogo, remake, sequência ou cópia
"O Dia em que a Terra parou"
"Super-Heróis - A Liga da Injustiça"
"Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal"
"Speed Racer"
"Star Wars A Guerra dos Clones"



Pior diretor
Uwe Boll, por "Postal"
Jason Friedberg & Aaron Seltzer, por "Super-Heróis - A Liga da Injustiça" e "Espartalhões"
Tom Putnam, por "A Gostosa e a Gosmenta"
Marco Schnabel, por "O Guru do Amor"
M. Night Shyamalan, por "Fim dos Tempos"



Pior roteiro
"Super-Heróis - A Liga da Injustiça" e "Espartalhões"
"Fim dos Tempos"
"A Gostosa e a Gosmenta"
"Em Nome do Rei"
"O Guru do Amor"



Pior ator coadjuvante
Uwe Boll, por "Postal"
Pierce Brosnan, por "Mamma Mia"
Ben Kingsley, por "O Guru do Amor"
Burt Reynolds, por "Em Nome do Rei"
Verne Troyer, por "O Guru do Amor"



Pior atriz coadjuvante
Carmen Electra - "Super-Heróis - A Liga da Injustiça"
Paris Hilton, por "Repo! The genetic Opera"
Kim Kardashian, por "Super-Heróis - A Liga da Injustiça"
Jenny McCarthy, por "Witless Protection"
Leelee Sobieski, por "88 minutos"



Pior casal em cena
Uwe Boll e qualquer ator, câmera ou roteiro
Cameron Diaz e Ashton Kutcher, por "Jogo de Amor em Las Vegas"
Paris Hilton e Christine Lakin ou Joel David Moore, por "A Gostosa e a Gosmenta"
Larry the Cable Guy e Jenny McCarthy, por "Witless Protection"
Eddie Murphy em Eddie Murphy, por "O Grande Dave"



Prêmio pela pior carreira
Uwe Boll (a resposta da Alemanha para Ed Wood)

Deixo aqui meu reclame completamente pessoal por qualquer indicação para Al Pacino. Repito, é pessoal e eu fico irracional quando o caso é relacionado a ele. Não achei 88 Minutos um filme ruim e tem muito ator péssimo por aí pedindo um Frambô. Vão entregar ao Mike Myers, estou na torcida. E pior atriz coadjuvante para Paris Hilton, por favor, de quem eu tenho a maior inveja de não ser amiga (Foi irônico).

Reclame dois – Annie Awards: Comentário sobre minha frustrada indignação por Wall-e não ter recebido NENHUM prêmio no Annie Awards e aquele Ursinho sem graça do Kung Fu Panda ter desbancado a Disney/Pixar. Uhh! Que marmelada, hein?


Ticiana Schvarcz

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

NAS TELONAS: O Dia em que Keanu Reeves me Decepcionou (tá. Nem foi a primeira vez)


O filme vale uma notinha e é exatamente isso que vou tentar fazer, me conter nas palavras. Vale contar que entrei com atraso no cinema (mas não perdi nem o primeiro segundo do filme) e tive que ouvir de um amigo meu: “Poxa, vocês vão perder a melhor parte do filme, os trailes”. Eu ainda tinha esperança.
O Dia em Que a Terra Parou começa no estilo Armageddon, mas sem a pitada de “I Don't Want To Miss A Thing” para dar aquela vontade de chorar. A idéia de conscientização contida no filme até que é boa, mas devia parar na versão da década de 50. Pois sim, a produção é simplesmente um remake do filme de mesmo nome lançado em 1951, baseado no conto de Harry Bates. O que não é surpresa, já que o mesmo aconteceu com A Guerra dos Mundos.
A diferença é que a película lançada em 2009 teve como orçamento uma bagatela de U$$ 79 milhões a mais que a primeira produção, que teve um custo de um milhão, algo inacreditável para os dias de hoje. Deviam ter parado na primeira versão.
A produção de 1951 é considerada, por muitos, uma obra-prima da ficção científica cinematográfica lado B. Por isso insisto para que assistam a primeira, pelo menos vão pensar: "É um filme e tanto para a época", e se quiserem ver um extraterreste –e não o Robocop- destruindo o planeta, assistam Independence Day porque, pelo menos, tem o humor do Will Smith. Ou então, se quiserem ver catástrofe assistam O Dia Depois de Amanhã e se quiserem chorar, assistam Armageddon ou E.T- O Extraterrestre. O Dia em que a Terra Parou não se encaixa em nenhuma dessas possibilidades, se quiserem se decepcionar, assistam-no.


Só um comentário para ratificar o que, acima, deveria ter sido uma nota: O filme recebeu indicação ao Framboesa de Ouro de Pior Remake, Sequência, Prelúdio ou Filme Derivado de Algo.

Ticiana Schvarcz

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

NAS TELONAS: Bolt – O super... comum.

Ele rosna, tem visão de raio laser, abana o rabinho, dá super latidos e salva a pequena donzela em apuros. Esse é Bolt, o novo cão herói da Disney que está ocupando as telonas do Brasil em janeiro. Descrevendo o filme em uma palavra eu diria com aquela voz silábica de apertar bochechas: “bo-ni-tiii-nhoo” e pararia por aí.
O filme é lindo, muito bem feito (desenhos, efeitos, expressões dos personagens), mas, por mais que dê vontade de levar o cãozinho para casa a história deixa a desejar. A verdade é que a animação tenta, no entanto não foge do clichê do cão que salva o dono. A diferença é que Bolt acredita mesmo ser um supercão porque foi criado como tal. Trancado em seu trailer após as gravações do seriado em que é o ator principal, o cachorrinho não sabe bulhufas do que ocorre no mundo a sua volta. Mas, preocupado com sua Penny (a dona), um dia ele acaba fugindo e conhece uma gata abandonada que mostra a ele como é ser um cachorro normal. Então ele volta para a sua “pessoa” sabendo que não é um herói de verdade e um imprevisto o obriga a arriscar a vida para salvar a garotinha que o criou. Pastiche? Clichê? Ah, mas ele é tão bonitinho.

Mas não é de hoje que a Disney não acerta em seus filmes 3D, as últimas três produções também não tiveram grande repercussão. A Família do Futuro, em 2007, pecou no roteiro por ser um tanto complexo para o público infantil e Selvagem, em 2006, praticamente reutilizou o roteiro de Madasgascar e teve o “azar” de lançar o filme quase ao mesmo tempo de Os Sem Floresta, da Dreamworks. Mas eu preciso admitir que eles não pouparam despesas em produção e, mesmo não sendo um clássico, vale a pena assistir ao filme. Antes de Selvagem a Disney exibiu em 2005 o Galinho Chicken Little. O filme é divertido e encantador e às vezes ainda me pergunto porque o desajeitado galinho não foi tão apreciado pelo público. Sim, eu respondo, o roteiro deixa você esperando algo mais, ou alguma explicação plausível. Mas é uma boa pedida para um quiz sobre filmes, já que a animação cita várias produções cinematográficas.
Vou fazer uma ressalva. Nem Selvagem, nem o Galinho, os Robinsons ou o supercão Bolt são produções ruins, elas apenas não tem aquela pitada de clássico Disney. Apenas vá ao cinema e assista a história do quatro patas, porque assim como com Lassie, Rin-Tin-Tin, Milo (de O Máscara), Jerry Lee (K9), Bud ou Beethoven, ainda não encontraram uma maneira de mostrar o cão nas telonas que não seja descrevendo a repetida expressão: O melhor amigo do homem.


Ticiana Schvarcz

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Pré-Oscar 2009



Na manhã de hoje a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulgou o nome dos filmes indicados para concorrerem ao Oscar 2009. Entre as notícias sobre o evento, depois de abaixo-assinados com mais de 4000 assinaturas de fãs do mundo todo, como era de se esperar, Heath Ledger recebeu a desejada indicação póstuma para melhor ator coadjuvante por sua interpretação de Coringa em O Cavaleiro das Trevas. O filme também disputa mais sete categorias, todas técnicas. No entanto, se eu fosse escrever sobre todos os filmes indicados ficaria dias aqui, então vou fazer uma síntese sobre os principais concorrentes a estatueta.

O mais indicado do ano, disputando 13 cavaleiros, é o drama O Curioso Caso de Benjamin Button, no qual Brad Pitt pode ganhar seu primeiro Oscar de Melhor Ator. O filme é baseado no livro de F. Scott Fitzgerald e exibe a história de um ser humano que nasce com todos os problemas e características de uma pessoa idosa e que rejuvenesce a cada ano, invertendo o ciclo da vida. O filme, por mais pacato que seja sua primeira parte, equilibra drama, humor e aventura em um romance impossível entre Pitt e Cate Blanchett. A trilha sonora merece destaque tanto quanto os efeitos, principalmente no início do filme quando o que se vê é um bebê abandonado com todos os aspectos de um adulto de 80 anos. Bom, para uma produção em que Brad Pitt passava cinco horas se maquiando e que, anteriormente, teria cotado Steven Spielberg, Tom Cruise, Ron Howard, John Travolta, Spike Jonze e Rachel Weisz, acredito que as estatuetas serão bem entregues. O longa disputa também por Melhor Filme, Melhor Diretor com David Fincher e Melhor Atriz Coadjuvante com Taraji P. Henson, além de Roteiro Adaptado, Edição, Maquiagem, Fotografia, Trilha, Mixagem, Efeitos, entre outros. Um turbilhão de possibilidades e a cadeira reservada nos cinemas. (Ainda dá tempo!)

O segundo filme mais indicado ao cavaleiro dourado é Quem Quer Ser um Milionário?. Concorrendo em dez categorias, entre elas Melhor Filme, Melhor Direção com Danny Boyle (Trainspotting), Roteiro Adaptado, Edição, Fotografia, Trilha e Canção (tendo essa categoria duas indicações). O longa não é de fácil acesso, mas acredito que sua aparição decimal no Oscar altere essa realidade. Num formato independente e repleto de rostos desconhecidos a trama transcorre por uma favela da Índia, quando um garoto órfão e analfabeto é o primeiro a alcançar a etapa final de um jogo de perguntas e respostas parecido com o brasileiro “Show do Milhão”. Entre as cores vibrantes e a miséria do local, algumas pessoas que assistirem o filme podem relembrar o longa de Fernando Meirelles, Cidade de Deus, e com razão, já que a co diretora das duas produções é a mesma, Kátia Lund, e trabalha do mesmo modo.

Com concorrentes à altura a disputa continua com as oito indicações do Drama biográfico sobre Harvey Milk, o primeiro candidato gay oficialmente eleito no estado da Califórnia. Milk – A Voz da Igualdade concorre, entre as demais estatuetas, ao prêmio de Melhor Ator para Sean Penn, que pode receber o seu segundo troféu hollywoodiano desde Sobre Meninos e Lobos em 2003. O filme também está na disputa pela categoria de Melhor Diretor para Gus Van Sant (Gênio Indomável).

Logo atrás -porém não menos encantador- está a história do robô solitário deixado na Terra por 700 anos para limpar a sujeira dos humanos. A animação Disney/Pixar, Wall-e, recebe seis indicações e dificilmente a Odisséia do robozinho não levará para cara a estatueta de melhor animação.

Empatados com cinco indicações estão o drama histórico pós escândalo Watergate, Frost/Nixon (incluindo Melhor Filme, Melhor Direção -Ron Howard- e Melhor Ator) e o romance O Leitor, levando novamente a expectativa de receber a estatueta ao diretor Stephen Daldry, depois de ter sido indicado pelos filmes As Horas e Billy Elliot. O longa também concorre na categoria de Melhor Atriz para Kate Winslet, que já recebeu três vezes essa indicação.

O prêmio de mérito da Academia completa, em 2009, 81 edições e, como nas outras oito décadas, nomes de ‘peso’ como Robert Downey Jr, Angelina Jolie, e Meryl Streep caminharão sobre o tapete vermelho para concorrer a estatuetas. Antes de divulgarem as indicações oficiais, algumas categorias recebem dezenas de longas para serem analisados e, deles, escolhidos os cinco melhores. Em 2009 o evento acontecerá no dia 22 de fevereiro (domingo) e o cavaleiro dourado de valor imensurável vai, por mais um ano, reunir o mundo em uma de suas mais belas criações, a sétima arte. Boa noite e boa sorte (a todos).

Ticiana Schvarcz

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Cinema com cifrão publicitário


Você já gostou tanto de um filme que se imaginou parte dele? É daquelas pessoas que quando ouve Gonna Fly now sente uma vontade imensa de subir correndo os degraus do Museu de Arte da Filadélfia? Bom, então você também consegue se imaginar andando pela cidade a noite e vendo a eternizada projeção do morcego negro em um edifício a sua frente. Pois essa foi apenas uma das ações de marketing produzidas para o filme O Cavaleiro das Trevas que desbancou algumas das maiores bilheterias da história do cinema mundial, arrecadando cerca de 920 milhões de dólares.
É fato comprovado que a expectativa causada pelas estranhas aparições relacionadas ao filme foi o principal fator de lucro nas exibições -além das especulações póstumas do coringa Heath Ledger-, mas é importante lembrar que tanto o marketing viral quanto a própria publicidade está para a Sétima Arte como está para a televisão, para o rádio, para os jornais. As duas sempre andaram juntas.
A verdade é que desde os anos 40, quando os atores apareciam fumando no cinema já havia uma empresa por trás e, a partir daí a coisa foi se... Vamos dizer assim: aprimorando. O resultado é que tanto o cinema aprendeu com a publicidade, quanto a publicidade utiliza, cada vez mais, atributos cinematográficos. E então não poderia deixar de citar os cineastas/publicitários ou publicitários/cineastas. Ridley Scott (de Hannibal, Gladiador) é um exemplo de cineasta que singrou pelo mundo publicitário.
Sem delongas, vamos voltar a cornucópia cinematográfica. A moda agora é o tal do Marketing Viral, que basicamente seria manifestações publicitárias que simulam o real, ou que partem de um princípio real, ou que fazem você acreditar que é real, usando como instrumento de difusão a internet. Esse gênero ganhou um espaço ainda maior depois das ótimas jogadas criadas para O Cavaleiro das Trevas, que fizeram com que as pessoas se sentissem parte da história, cada uma no simulacro de sua Gotham City.
Mas, você há de convir comigo que o Marketing Viral não é uma técnica nova. Vamos ao Star System Hollywoodiano. De volta para o passado de 1999 na cidade de Burkittsville, três estudantes somem misteriosamente enquanto tentavam produzir um documentário e a internet foi o veículo que divulgou desse desaparecimento. Eles estavam atrás da lendária Bruxa de Blair. O filme custou míseros $ 50 mil e angariou cerca de $ 200 milhões por causa de um simples “PROCURA-SE” solto pela web. Essa foi A sacada da história do cinema, alertando que o segundo filme é o ópio da produção, no sentido figurado de droga mesmo.
E o país tropical também se aprimorou na publicidade cinematográfica com um longa que revolucionou pelo novíssimo “marketing pirata”, conhece? Tropa de Elite e suas versões 01, 02, 10 vendidas nas barraquinhas próximas a sua casa. Os rumores é de que o filme teria sido ‘surrupiado’ antes de ser concluído, o que possibilitaria um final diferente. Jogada de marketing ou imprevisto lucrativo? Sabe-se lá.
Cloverfield – O Monstro assustou a galera que foi ao cinema assistir Transformers (falo deste depois) com uma aparição misteriosa durante os trailers de uma Nova York destruída por um monstro. Não havia nomes, produtora, chamadas, apenas as cenas. E tem a história de que um monstro real/fictício apareceu em algum lugar e que, possivelmente, ele foi criado para causar um ‘furdúncio’ pré-estréia também. Transformers, que tentou por tanto tempo esconder seu Optimus Prime e a gangue de carros-robôs começou, de uma hora para outra, a soltar imagens dos casts que seriam ‘não-oficiais’ e que abocanharam os fãs com aquele gostinho de “quero mais”. O Filme dos Simpsons deixou todo mundo com vontade de comer rosquinhas, até quem olhava para a Estátua da Liberdade, depois de soltarem na rede um vídeo em que o símbolo norte-americano segurava um delicioso biscoito nas mãos. Além de ter transformado vários pontos da cidade em lugares fictícios da cidade de Springfield.
A verdade é que, se for para citar todos os filmes é possível passar dias ‘escrevivendo’ e não lembrar todos. O importante é que a criatividade desses projetos permitiu às novas produções saírem do piegas, do comum, do clichê. Enquanto O Cavaleiro das Trevas mostrou o poder que esse tipo de divulgação tem, outras novas produções e difusões virão, sejam elas quais forem. É claro que a pergunta que fica é “Onde isso vai parar”? E não há uma resposta imediata. A interatividade é novidade e talvez mude também o modo de ver cinema. Por enquanto, assino em baixo e espero que apareçam outros morcegões, monstros e rosquinhas por aí. É bom para a publicidade, é bom para o cinema e é bom ainda para alimentar a imaginação.